União de gigantes

O “se” de R$ 3 bilhões: o que o mercado viu na possível união entre Bovespa e Cetip?

Com possibilidade de fusão, as duas gigantes ganharam juntas na Bolsa R$ 2,9 bilhões em valor de mercado somente em um dia

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SÃO PAULO – Uma possibilidade de fusão entre a BM&FBovespa (BVMF3) e Cetip (CTIP3) se abriu essa semana após a Bolsa confirmar que está em conversas com a empresa de registros e negociações de títulos de renda fixa para tal acordo. A notícia fez preço no mercado, levando a um ganho de valor de mercado das duas companhias de R$ 2,9 bilhões somente no pregão pós-anúncio, quando as ações subiram cerca de 9%.

Embora os termos de um possível acordo ainda sejam desconhecidos, a notícia foi vista como positiva pelo mercado, já que eliminaria risco competitivo da BM&FBovespa em renda fixa e derivativos de balcão, além de criar possíveis sinergias. Mas, depois de tal ganho dos papéis, haveria ainda mais espaço para as ações subirem na Bolsa? O que o mercado estaria vendo com a possível fusão?

Nos cálculos preliminares dos analistas Henrique Navarro e Renata Cabral, do Santander, as ações das duas empresas já estariam precificando tal fusão. Isso porque eles enxergam um ganho de sinergias na ordem de R$ 1,9 bilhão, contra uma criação de valor após o anúncio na ordem de R$ 2,9 bilhões.

Segundo eles, seria, portanto, aconselhado adotar uma postura mais conservadora com o case, dado que os possíveis pontos positivos parecem quase totalmente precificados, ao passo que os possíveis pontos negativos ainda são desconhecidos (como a definição do preço justo, troca de ações da transação favorecendo uma empresa ou outra, disputa judicial da BM&F quanto ao ágio, entre outros).

O que entra na conta das sinergias?
Para chegar aos R$ 1,9 bilhões em sinergias, o Santander considera um valor de amortização de ágio de R$ 1,3 bilhão com a operação, considerando um período de amortização de 10 anos. No entanto, eles comentam: “seria interessante, para dizer o mínimo, ver a BM&FBovespa tentando apresentar uma outra amortização de ágio expressiva, ao mesmo tempo em que ainda é discutido com as autoridades fiscais quanto ao mesmo assunto em outra frente”. 

Do lado da redução das receitas, eles acreditam que seria pequena, se houver alguma, já que a Bovespa já gastou em sua plataforma de renda fixa para concorrer com a Cetip, enquanto do lado das despesas operacionais, eles veem um corte geral de 20% – proveniente em grande parte de pessoal, serviços terceirizados & TI e marketing para as duas empresas – o que implicaria em um aumento de 9% no Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das empresas. Segundo eles, isso representaria um incremento de 2% no preço-alvo das ações de cada uma das duas empresas. 

Obstáculos à frente?
Para o banco, o negócio não deve ser contestado pelos grandes bancos brasileiros, nem pelo regulador, o Banco Central.

Do lado dos bancos, as grandes instituições brasileiras não têm maioria em cada conselho (atualmente, 4 assentos nos conselhos de Cetip e BVMF, de 11 assentos para cada), mas essa transação foi sugerida pela BVMF, então os bancos muito provavelmente já estavam cientes disso antes tendo em vista as reuniões de conselho da BM&F, comentam. 

Já do lado regulatório, a transação não está sujeita ao monitoramento do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), pois são empresas financeiras, regradas pelo BC. E a Cetip é normalmente percebida pelo mercado como um aliado do BC (assim como na crise de derivativos do Brasil há alguns anos), sendo sustentada como um departamento do BC há um tempo, apontam os analistas.

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