Hora de reavaliar

O risco de escolher uma ação olhando apenas para “dividend yield”

Atualmente as empresas com a maior relação entre dividendo pago e preço da ação não apresentam um cenário tão seguro para investimento, dizem analistas

Por  Paula Barra -

SÃO PAULO – Investir em ações boas pagadoras de dividendos sempre foi uma alternativa interessante para quem buscava rentabilidade mesmo em período de turbulência no mercado. Entretanto, escolher esses papéis nem sempre se mostra tão simples quanto olhar quais apresentam o maior dividend yield (dividendo pago por ação dividido pelo preço da ação).

Segundo levantamento feito pela consultoria Economática, as ações preferenciais da Oi (OIBR4) aparecem no 1º lugar do ranking de maiores dividend yield estimados para 2013, com 26,6%. Entretanto, os papéis da operadora de telefonia caem cerca de 45% na bolsa no acumulado deste ano.

Parte deste movimento deve-se a desconfiança do mercado em relação à sua capacidade de manter o atual modelo de pagamento elevado de dividendos mesmo com o aumento do seu endividamento. No balanço do 1º trimestre do ano, a companhia teve queda de 67% em seu saldo de caixa em relação ao ano passado, para R$ 5,08 bilhões, enquanto a dívida líquida subiu 63%, para R$ 27,5 bilhões. Uma deterioração maior poderia forçar a Oi a vender ações ou, em caso extremo, se desfazer de suas unidades de telefonia fixa ou celular, indicam analistas.

A Oi sugeriu uma política de dividendos muito agressiva. Entretanto, a empresa tem uma dívida muito grande, um pesado plano de investimentos – em especial com o 4G – e está sendo multada a todo momento pela Aneel. “O papel cai com a descrença de que a empresa conseguirá manter esse dividend yield. É insustentável essa política. Pode ser um barco furado. É um risco muito alto manter esse ativo numa carteira que deveria ter o perfil defensivo”, afirma o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

Dividend yield não é tudo
Por isso é preciso tomar cuidado ao escolher esses papéis. Segundo o analista Carlos Muller, da Geral Investimentos, não basta apenas o investidor olhar para o dividend yield da empresa, é importante considerar também o potencial de crescimento da geração de caixa, dado que não é relevante a empresa pagar bons dividendos se não conseguir sustentá-los.

Confira a lista estimada das seis maiores pagadoras de dividendos em 2013:

EmpresasTickerDividend yield previsto
para 2013 (em US$)
OiOIBR426,6%
AES TietêGETI412,9%
EletrobrasELET612,8%
DirecionalDIRR310,4%
CyrelaCYRE39,4%
CemigCMIG48,9%
Fonte: Economática

Elétricas: ainda não é o momento
Mesmo as elétricas, que tanto sofreram no ano passado com a Medida Provisária 579, saem da escuridão e voltam a figurar entre as maiores pagadoras de dividendos: ações das elétricas AES Tietê (GETI4) e Eletrobras (ELET6) aparecem, cada uma, com dividend yield de 12,9% e 12,8%, respectivamente.

Isso, entretanto, não sinaliza um bom momento para investir nessas empresas, disse Muller, citando em especial o caso da Eletrobras, cuja preocupação com os resultados de longo prazo ainda pesam nas análises sobre a empresa.

O que a “MP das elétricas” fez foi separar as ações mais eficientes das menos eficientes, mas a percepção de risco está muito alta. “Eu ainda estaria com um pé atrás no setor inteiro até, pelo menos, o final de 2013, pois qualquer notícia que indique que pode acontecer alguma coisa com risco sistêmico, pode ocasionar em uma queda brusca dos papeis”, afirmou Beatriz Nantes, analista da casa de research Empiricus.

Em relação à AES Tietê, o analista Pedro Galdi explica que a empresa não foi tão afetada pela MP do governo, embora tenha aceitado renovar antecipadamente suas concessões. “A empresa tem uma boa geração de energia e deve continuar entregando suas dividendos prometidos. É uma bom exemplo de alto dividend yield interessante para se manter na carteira”, disse.

A lista dos maiores dividendos ainda segue com os papéis da Direcional (DIRR3), Cyrela (CYRE3) e Cemig (CMIG4), cada uma, com dividend yield de 10,4%, 9,4% e 8,9% – como opções de distribuição de dividendos acima da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 8% ao ano.

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