AO VIVO Analista Guilherme Cadonhotto revela uma de suas ações preferidas para viver de renda

Analista Guilherme Cadonhotto revela uma de suas ações preferidas para viver de renda

Empresas criadas por Eike

O retorno das ações X? Papéis da MMX (MMX3) saltam 1920% em outubro e da OSX (OSXB3) sobem 153% em só uma sessão

Analista alerta para movimento altamente especulativo dos papéis das empresas criadas por Eike Batista

SÃO PAULO – Conhecida como uma das antes joias da coroa e também por ser uma das histórias de maior frustração para o investidor quando o império de Eike Batista começou a ruir, as ações da MMX (MMXM3) ressurgiram na B3 em outubro. Apenas no acumulado do mês, os papéis subiram 1.922,47%, a R$ 36,00.

O catalisador para isso foi a informação da mineradora em 30 de setembro de 2020, em fato relevante, de que protocolizou petição junto ao juízo de sua recuperação judicial, buscando recuperar o ativo Mina Emma, localiza em Corumbá e que foi oferecido aos credores na recuperação judicial. Segundo a companhia destacou no documento, a exploração “pode ser de grande relevância econômica”.

Com isso, os investidores se animaram, uma vez que que a mineradora está em recuperação judicial há quatro anos e sem operação.

Essa justificativa também foi destacada pela companhia em comunicado no último dia 6 de outubro, em que explicou para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o motivo para tamanha oscilação de suas ações, inclusive por um volume muito acima da média diária. Se antes o volume negociado com as ações raramente passava dos R$ 10 mil, no dia 7 os papéis movimentaram R$ 11,08 milhões, com o giro subindo sucessivamente até atingir mais de R$ 100 milhões na sessão desta terça-feira (13), em que os papéis subiram impressionantes 123,46%, a R$ 36.

Além da MMX, a  OSX (OSXB3), da área de construção naval, também registra forte alta na Bolsa. Apenas nesta sessão, os papéis OSXB3 saltaram 153,01%, a R$ 21,00, e acumulam alta de 376,19% no mês. Juntas, elas têm dívidas que somam mais de R$ 7 bilhões, sendo que ambas estão em recuperação judicial. A MMX já teve falência decretada em 2019, processo que só não foi em frente por uma liminar judicial.

A OSX também foi questionada pela autarquia no último dia 7 de outubro sobre o movimento atípico das ações, mas informou “que não tem conhecimento de qualquer ato ou fato relevante que poderia dar ensejo às oscilações atípicas do volume e do valor de cotação das ações”.

Um dia depois, o site da revista Exame apontou que Eike Batista já está preparando o seu retorno para as duas companhias, enquanto aguarda a homologação de sua delação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A delação envolve investigação de corrupção de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. O empresário, contudo, aponta a publicação, está confiante de que vai virar a página.

“Mesmo condenado por manipulação de mercado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Justiça e proibido de ocupar cargos de administração em companhias abertas pelos próximos sete anos, Eike Batista está trocando a gestão das controladas MMX e OSX. Como não pode sentar na cadeira ele próprio, vai colocar administradores de sua confiança e subordinação no lugar dos atuais”, ressalta a reportagem. Sobre isso, houve um revés para o empresário, com o cancelamento da assembleia da OSX que iria deliberar sobre o tema (veja mais aqui).

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Vale destacar que o movimento é altamente especulativo e, no caso da MMX, ainda não há mais informações sobre a real capacidade de geração de caixa do ativo de mina Emma e mensuração sobre qual é a “grande relevância econômica”.

“O objetivo de todo investidor é comprar no mercado aquilo que ele acredita que, em sua opinião, tem mais valor que o preço praticado. Não há como avaliar nesse caso qual é o real valor dos ativos que compõem a empresa”, destacou João Beck, sócio da BRA, escritório credenciado da XP, em entrevista ao Estadão.

Cabe destacar que a ação da MMX, que estreou na Bolsa em 2006, chegou a valer mais de R$ 2 mil em 2008, no auge da euforia do mercado com os papéis da companhia, em meio a grandes projeções   de produção de minério de ferro e aço. Contudo, a companhia deixou de cumprir contratos, trazendo à tona problemas de capacidade operacional do projeto.

Os problemas se acumularam com as investigações envolvendo Eike Batista, que culminaram com a prisão em 2019. A mineradora está em recuperação judicial desde 2016.

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