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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como ocorreu semanas atrás quando a Standard & Poor’s revisou negativamente a nota do Brasil, está tentando fazer do limão que lhe foi servido ontem por outra agência de classificação de risco, a Moody’s, também reduzindo o rating brasileiro, uma limonada.
A equipe econômica respirou aliviada porque poderia ter sido pior – simplesmente o Brasil perder o grau de investimento. Levy então aproveitou para lembrar que a decisão da Moody’s é um alerta sobre a nossa delicada questão fiscal, mostra que o Brasil precisa priorizar a redução da dívida pública.
Ou seja, um recado para os políticos que, apesar dos sinais de Renan Calheiros de que vai ajudar o governo, não morrem de amores pelos cortes de despesas que o ministro está ministrando nos gastos público.
A mesma tese tem o economista José Roberto Mendonça de Barros. Em entrevista a “O Estado de S. Paulo”, diz que o rebaixamento da nota foi oportuno e talvez vire um sinal de alerta para o Congresso.
O grande problema é que uma parcela significativa do descrédito e da desconfiança externa em relação ao Brasil, no momento, é puro reflexo do ambiente político em que o governo está enroscado. Ou estava, até o acerto com Renan Calheiros, o que ainda é preciso conferir.
O governo conta com o entendimento acertado com o presidente do Senado e boa parcela do PMDB, reforçado pelo esforço da presidente Dilma de se aproximar dos políticos e dos partidos (ontem, contrariando seu estilo, fez até um apelo ao PDT para não deixar a base aliada) para desanuviar o clima pesado no mundo político e no Congresso nesses primeiros meses do Dilma II.
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Governo efêmero e falível
E, de fato, a notícia do acerto com Renan Calheiros melhorou as coisas em Brasília. O governo ontem respirava mais tranquilo. Nem tudo, porém, é garantia de que novas agruras não podem estar a caminho. O próprio Calheiros, em discurso no plenário do Senado ontem, colocou um pouco de gelo no entusiasmo oficial ao dizer que suas propostas não são para dar a mão a “governo efêmero e falível”. Traduzindo: o apoio existe, porém é relativo.
Também a chamada “Agenda Brasil”, conjunto de propostas ecléticas apresentadas pelo presidente do Senado como contribuição para ajudar a retomada da economia pós-ajuste fiscal, e recebida com entusiasmo pela presidente Dilma, não teve a mesma recepção nem no Congresso nem fora dele. Ambiciosa, a Agenda na prática é de difícil aprovação.
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No fundo, avaliava-se, ela serviu mais para “lustrar” a adesão de Calheiros. Para o governo, tudo bem: nesse instante, tudo que ele quer é barrar a pauta-bomba no Senado e aprovar a reoneração da folha de pagamento. Vai servir ainda alguns dias como pauta de debates, mas com cara, jeito e cheiro de mais um factoide. Para ser um factoide do melhor estilo, faltou Calheiros incluir na sua Agenda a indefectível reforma política. Aí ficaria completo.
Além do mais, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pressentindo que o pacto Dilma/Calheiros também é contra ele, fez questão de lembrar que o sistema brasileiro é bicameral, ou seja, o Senado não pode nada sozinho. Tudo da Agenda Brasil que os senadores vierem a aprovar precisará também da aprovação dos deputados. E enquanto Cunha estiver politicamente vivo, não haverá facilidades. A não ser que já se esteja dando como favas contadas o indiciamento dele por envolvimento no petrolão.
Não só Eduardo Cunha que ficou agastado com a nova amizade de infância de Dilma com Renan Calheiros e os senadores do PMDB. A conversa não pegou bem entre muitos deputados que, como registra o colunista Ilimar Franco, em “O Globo”, eles se sentem desautorizados quando se diz que os senadores vão barrar as pautas-bomba (os malfeitos) da Câmara. Os deputados são vendidos como “maus” enquanto os senadores posam para a opinião pública de bonzinhos.
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Antes que se instale um incêndio no Congresso, a presidente precisará fazer um afago maior aos deputados.
As atenções estão voltadas para os encontros que o ex-presidente Lula terá hoje em Brasília. Ainda não se tem confirmação de um almoço entre ele, Dilma e Michel Temer ou se eles conversarão separadamente. Lula voltou à ativa, ontem defendeu Dilma e atacou a oposição, depois de uns dias agindo apenas nos bastidores. Percebeu-se que o PT também ficou inquieto com a aproximação de Calheiros/PMDB com Dilma.
Outros destaques dos
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jornais do dia
– “Bandeira vermelha da conta de luz vai cair entre 15% e 20% e conta de luz cairá 1,6%” (Globo)
– “Após calote, União bloqueia contas do Rio Grande do Sul” (Globo)
– “Câmbio chinês abala mercados” (Globo/Estadão/Valor)
– “Sem novos planos, governo relança obras do setor de energia” (Estadão)
– “Acesso de grupos estrangeiros a leilões deve ser facilitado” (Estadão)
– “BNDES vai financiar até 50% de novas megausinas” (Valor)
LEITURAS SUGERIDAS
- Miriam Leitão – “Dias intensos” (diz que rebaixamento da nota do Brasil é também reflexo da crise política do país) – Globo
- Editorial – “Não há agenda positiva sem ajuste fiscal” (diz que Dilma recebe ajuda de Renan no desarme das “bombas”, anuncia investimentos no setor elétrico, mas tudo está na dependência do ajuste fiscal) – Globo
- Cristiano Romero – “Economia em tempos de dominância política” (diz que crise política explica 80% da concentração econômica) – Valor