O rali do mercado remete a avaliações ponderadas ou reações instintivas?

Robert Shiller avalia alguns traços comportamentais do investidor e podera passado e presente para falar em recuperação

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SÃO PAULO – Os estudos de finanças comportamentais parecem sob medida para avaliar o atual momento dos mercados. Pelo fato das bolsas anteciparem os movimentos da economia, o rali das ações desde março é uma prévia de como será a recuperação da economia real? A dúvida persiste. Para tentar respondê-la, é preciso diferenciar reações instintivas de avaliações ponderadas.

A história mostra que as bolhas especulativas sempre foram guiadas por premissas psicológicas. A questão foi levantada por Robert Shiller, professor da Universidade de Yale e economista-chefe da MacroMarkets. “Ações em alta geram histórias de investidores inteligentes que fazem fortuna. À frente da história de sucesso dos outros, o povo começa a especular se os preços em alta não permitem ganhos adicionais”, disse em artigo.

Para quem está fora do mercado e observa uma tendência de alta se estender, a tentação a entrar é inevitável. Parte do princípio de uma reação em cadeia, efeito manada. A possibilidade dos ganhos se estenderem, por si só, pode fazê-los se estender. Tendências de valorização tendem a gerar uma onda de otimismo que guia as decisões do mercado.

Reação natural

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A continuidade dos ganhos pode estar associada a esta reação psicológica, mas a sustentabilidade das altas necessita de fundamentos que a alimentem; caso contrário, será mero rali.

Até aqui, a questão se volta para quais fatores podem tornar este rali uma tendência. “Não parece haver notícias dramáticas desde março, (…) a reação natural aos preços em alta está sempre esperando para criar bolhas. A repetição dos fatos é apenas um mecanismo de amplificação para outros fatores que predispõem pessoas a entrar no mercado”, pondera Shiller.

Combinação interessante

Muito se questiona sobre a sobriedade do momento atual dos mercados. Contra o ritmo de ganhos, pesa o fato dos indicadores econômicos não terem apontado melhora, apenas uma piora em ritmo menos acentuado. Shiller cita uma combinação interessante.

Diversas avaliações do atual momento foram resgatar histórias do passado. Partindo daí, o mercado percebe que sempre se recuperou dos percalços que encontrou pela frente. Esta percepção é alimentada pela ausência de novas surpresas negativas.

Passado X Presente

No debate entre o passado e o presente, Shiller traça um paralelo com o lançamento de um novo filme. “Ninguém sabe como será a reação do povo ao lançamento até que o filme seja visto pelas pessoas e as pessoas comentem sobre ele entre si”. Para incluir o passado no caso, cita o recente lançamento do filme Star Trek; uma história de 40 anos atrás, que rendeu US$ 76 milhões em bilheterias somente em sua semana de estreia.

Voltando ao movimento atual do mercado, é preciso fazer com que as histórias do passado gerem esperança suficiente para revigorar a reação dos agentes a guiar a recuperação da economia. “Nossos esforços para estimular a economia devem se focar em melhorar o script destas histórias, tornando-as possíveis novamente”.

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