Por dentro dos resultados

O que tem no Brasil não é suficiente: como a M.Dias Branco se tornou refém do trigo importado — e isso prejudica o balanço

CFO e diretor de RI da companhia participaram de live do InfoMoney e falaram sobre nova política de pagamento de dividendos e planos de M&A

SÃO PAULO — A pandemia de coronavírus aumentou o consumo de alimentos, com as pessoas 24h por dia dentro de casa, o que beneficiou as empresas do setor. Mas no caso da M.Dias Branco (MDIA3) a maior demanda agravou um problema que já existia: não há trigo suficiente no Brasil para dar conta da necessidade de produção de alimentos que levam o insumo em suas receitas, e a importação com o dólar acima de R$ 6 impacta negativamente o balanço.

Em 2020, a receita líquida da M.Dias, que detém marcas como Piraquê, Adria e Vitarella, avançou mais de 20% sobre 2019, atingindo R$ 1,42 bilhão. A cifra só não foi maior porque no quarto trimestre houve um esfriamento da demanda que causou redução de 16% no volume de vendas frente aos três últimos meses do ano anterior.

“Nós tivemos que aumentar os preços no último trimestre de 2020 para compensar o custo operacional maior devido ao câmbio e as importações de trigo”, explicou Gustavo Theodozio, CFO da companhia, em live do InfoMoney nesta terça-feira (6). “Temos uma política de hedge que funcionou e ajudou a reduzir esse impacto. (…) Com a crise se perdurando por mais de um ano, realmente é um cenário muito desafiador”, completou.

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas. Para não perder as próximas lives, que acontecem até o início de abril, se inscreva no canal do InfoMoney no YouTube.

Por Dentro dos Resultados
Participe do evento e baixe um ebook gratuito para aprender a identificar as melhores empresas da Bolsa:
Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.

O executivo explicou que o Brasil consome em média 12 bilhões de toneladas de trigo e produz a metade isso, por isso tem que importar. O insumo comprado pela M.Dias vem principalmente da Argentina, aproveitando incentivos fiscais do Mercosul, e aqui no Brasil os dois estados que têm produção relevante de trigo são Paraná e Rio Grande do Sul.

“Sendo bem objetivo, não existe nenhum substituto para o trigo”, disse. “A M.Dias tem um expertise na compra de trigo bem relevante, nossos custos ao longo de 2020 sempre foram menores na aquisição do que o preço médio da commodity, seja pela nossa grande capacidade de estocagem, ou pela política de hedge”, afirmou.

Theodozio destacou que a companhia consegue moer o trigo em seus moinhos e não precisa comprar farinha de trigo de terceiros, o que seria uma vantagem competitiva. Ele completou dizendo que tem alguns produtos no pipeline que não possuem trigo, reduzindo um pouco a dependência da empresa pelo insumo.

“Pode ser que a companhia no futuro através de M&A [fusões e aquisições] passe a depender um pouco menos de trigo”, disse. “Sim, a companhia tem um alavancagem muito baixa e um caixa bastante robusto, com uma dívida muito saudável. (…) A gente tem feito um esforço grande para aumentar as exportações, elas cresceram mais de 200% no ano passado. Temos um time na América do Sul, com sede no Uruguai. Exportamos para mais de 35 países e estamos atentos para aquisições fora do Brasil, mas é um assunto complicado agora devido à depreciação do real. Enquanto o real estiver fraco, a nossa cabeça é segurar um pouco os planos de aquisição fora do país”, disse.

PUBLICIDADE

Fabio Cefaly, diretor de relações com investidores da companhia, comentou sobre as iniciativas de redução de custo, como o projeto Multiplique 2. “A gente montou um grupo de trabalho na empresa com diretores de várias áreas que está trabalhando nas iniciativas organizadas para entregar ganhos no resultado e também no caixa, com oportunidades importantes no capital de giro”, disse.

Os executivos comentaram ainda sobre o programa de recompra de ações, sobre o terreno em Juiz de Fora em Minas Gerais e o projeto de construção de uma fábrica na região, que deixou de fazer sentido após a compra da Piraquê, além do pagamento de dividendos — e a mudança na política de remuneração ao acionista. Assista à live completa acima.

Por Dentro dos Resultados
Participe do evento e baixe um ebook gratuito para aprender a identificar as melhores empresas da Bolsa:
Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.