O que os primeiros dias do mercado indicam para o Ibovespa para o restante de 2026

Eleições presidenciais são o principal catalisador de volatilidade, afirmam especialistas

Erick Souza

Bolsa de Valores Brasil Balcão (B3)
(Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Bolsa de Valores Brasil Balcão (B3) (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)

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Os impactos ainda não calculados das ações dos Estados Unidos sobre a Venezuela, as expectativas de queda de juros lá fora e aqui no Brasil e a corrida eleitoral que está prestes a começar estiveram sob o radar do mercado nesta primeira semana do ano.

Com todo esse cenário já presente nos primeiros dias, o que esperar para o mercado financeiro brasileiro ao longo de 2026?

Para Rafael Passos, sócio da Ajax Asset, as tensões entre a Venezuela e os Estados Unidos podem acabar sendo uma surpresa positiva para o mercado nacional neste ano. “Nós temos visto a América do Sul migrando governos para uma agenda mais liberal e os EUA também influenciando esses países, para o Brasil isso pode ser um trigger (catalisador) positivo”, afirma o especialista.

Não perca a oportunidade!

Conforme Passos, em um ano eleitoral como o atual, o Brasil tem a possibilidade de também fazer uma troca de governo para uma gestão mais liberal, o que traria um impacto positivo para o ativo de risco. “O grande risco para países emergentes, principalmente, é a dívida. Se o Brasil adota uma agenda liberal, isso deve se refletir mais positivamente nos ativos, uma vez que a percepção de risco x país vai cair”.

Eleições em 2026

De acordo com Sidney Lima, analista da Ouro Petro Investimento, as eleições presidenciais de 2026 no Brasil são um dos eventos de maior potencial de impacto sobre o humor do mercado financeiro neste ano. “[As eleições] alteram perspectivas de política econômica, reformas fiscais e estrutura de incentivos para investimentos”, explica.

Segundo o analista, qualquer cenário que sugira maior compromisso com disciplina fiscal, reformas pró-crescimento e estabilidade institucional tende a ser visto com otimismo, enquanto incertezas ou propostas que levantem dúvidas sobre solvência fiscal ou ambiente de negócios, podem gerar volatilidade e reprecificação de risco.

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De acordo com Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, a política fiscal e a dívida pública do Brasil se tornaram o centro das atenções dos investidores, primeiro por causa das eleições e, segundo, por toda a expectativa com a queda dos juros. “Nós viemos de um ano bem forte, principalmente com o fator doméstico ganhando mais peso na precificação dos ativos”, comenta.

Com o dólar enfraquecido ao longo do ano anterior — o que deve perdurar em 2026 —, Tales reforça que o apetite do investidor estrangeiro aumentou, visto que até o início de 2025, estava sublocado, ao observar as principais carteiras globais em mercados emergentes. Com as expectativas de redução de juros pelo Federal Reserve (Fed), o fluxo para mercados emergentes ainda deve aumentar.

“Quando a taxa de juros dos EUA cai, o investidor americano precisa tomar mais risco para remunerar o capital dele”, explica Rafael Passos. Neste movimento, o investidor opta em países que trabalham com taxas de juros mais elevadas, como o Brasil.

Apesar da expectativa positiva, Tales Barros ressalta que ao colocar na equação as tensões geopolíticas atuais, como o caso Estados Unidos e Venezuela, a incerteza global aumenta. “Isso pode gerar alguns momentos de aversão a risco, ou até uma questão de um receio inflacionário, envolvendo ali, indiretamente, a questão do petróleo”, explica.