Publicidade
SÃO PAULO – Controverso, o IPO (Initial Public Offering) da VisaNet foi o assunto da semana que passou e será o assunto da segunda-feira (29), dia de estreia das ações na bolsa. Até lá, sobra apreensão do investidor, seja ele institucional, pessoa física, participante ou não da oferta.
O IPO da VisaNet marca o retorno das ofertas, que sumiram da bolsa desde que a crise começou. Inevitavelmente, faz lembrar as estreias bombásticas de Bovespa Holding, Redecard e BM&F, faz lembrar daquela expectativa por uma disparada dos papéis na abertura, ou a frustração de quando acontece o inverso.
O mercado para no final de semana com a ansiedade toda voltada para as 10h00 da segunda-feira. A exclusão de 23 corretoras do processo apimentou ainda mais o evento, aumentou a apreensão de uns, antecipou frustração a outros.
Dois lados da moeda
A história do investidor N. Freitas representa bem os dois lados da moeda. Seu clube de investimentos, por operar com uma das corretoras eliminadas, ficou de fora. Frustrado, Freitas não culpa a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) ou os coordenadores da oferta: “As corretoras já sabem que não pode fazer este tipo de propaganda, mas continuam fazendo”.
O problema de seu clube de investimentos foi compartilhado por outros tantos investidores pessoa física. A extensão de apenas um dia no período de reservas inviabilizou a corrida para outra opção de corretora, pela irritante burocracia envolvida nos processos de abertura de contas.
Boa subida
Como pessoa física, porém, Freitas conseguiu participar. Já que possui conta ativa em uma instituição que não foi eliminada do processo, resolveu correr para reservar seu lote. Sua expectativa é das melhores. “Espero que dê uma boa subida na estreia”, apontando algo entre 10% e 20%.
Continua depois da publicidade
O otimismo de quem está dentro vai da possibilidade de maior procura pelas ações na estreia, exatamente pelo imbróglio com as corretoras ter excluído tanta gente das reservas. As ações parecem atrativas, a julgar pelo exemplo da abertura de capital da Visa nos Estados Unidos, ou pela opinião de alguns especialistas.
Sem surpresa
Nick Eihorn, estrategista de IPOs da Renaissance Capital, afirmou ao portal MarketWatch que “há muito interesse neste IPO, não será surpresa se for bem”.
Ao avaliar os fundamentos da companhia, destacou “margens operacionais fortes e se beneficia dos mesmos fatores de crescimento que a Visa, com a migração dos meios de pagamento do dinheiro vivo para cartões de crédito e débito, principalmente em mercados emergentes como o Brasil”.
Continua depois da publicidade
Nova Bovespa?
Há tempos que a bolsa brasileira não assiste a uma grande estreia. A julgar pelos números da VisaNet, a expectativa é que a segunda-feira (1) resgate um pouco do que foi a bombástica oferta da Bovespa Holding, ou a posterior abertura de capital da BM&F, ambas na segunda metade de 2007, ambas com valorização expressiva para quem entrou.
Tentando administrar a apreensão, um investidor que preferiu o anonimato acredita que apesar da torcida, tudo pode acontecer. Avaliar tanto os fundamentos do papel como as possibilidades da estreia, para ele, é como “jogar uma moeda para o alto”. Afinal, ainda não há histórico de cotações ou analistas que cubram esta ação.
28% lá fora
A partir daí, o mercado busca lidar com o que tem em mãos. Lá fora, lá atrás, a abertura de capital da Visa, em março de 2008 na NYSE, registrou alta de 28,41% dos papéis, que apareciam cotados a US$ 56,50 ao final de seu primeiro pregão.
Continua depois da publicidade
Cabe mencionar que o preço das ações durante o processo de abertura de capital da Visa ficou em US$ 44,00 cada, acima do intervalo estimado pelos coordenadores da oferta (US$ 37,00 a US$ 42,00). Por aqui, a precificação dos ativos da VisaNet ficou em R$ 15,00, no teto das estimativas.
Lembrar a estreia das ações da Visa na NYSE empolga, como empolgou na época
Aldo Luiz Mendes, vice-presidente de finanças do Banco do Brasil, grande acionista da VisaNet: “VisaNet está para a Bovespa como a Visa está para Wall Street”.