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SÃO PAULO – Taxa de crescimento de 6% nos últimos dez anos, inflação média de 2,5% ao ano. O que parece ser quase um sonho para o Brasil é realidade para um país de um pouco mais de 30 milhões de habitantes e que realiza uma boa gestão em termos de políticas monetária e fiscal.
Em evento realizado pela Fiesp e pelo inPERÚ (associação sem fins lucrativos formada pelos setores econômicos mais importantes do Peru) na última quarta-feira, importantes nomes destacaram o cenário favorável para a economia peruana.
“O Peru tem 25 anos de políticas sensatas”, destacou o vice-ministro de Economia e Finanças do Peru, Giancarlo Gasha Tamashiro, ressaltando que houve aumento das reservas internacionais, além de respeito pelos contratos e consistente acúmulo de capitais. “O Peru é um país totalmente integrado ao mundo, devido aos seus acordos econômicos e de livre comércio”.
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Um dos destaques do encontro foi o presidente do Banco Central do Peru, Julio Velarde. Eleito o melhor presidente de banco central do mundo em 2015 pela revista The Banker, do Financial Times, Velarde defendeu o ajuste fiscal.
Vale ressaltar que, em janeiro, o Banco Central do Peru diminuiu a taxa de juros básica de 3,50% para 3,25%, mantendo o mesmo patamar desde então. Isso surpreendeu o mercado, que esperou novas reduções. E a autoridade monetária sempre fica de olho na inflação: no acumulado dos doze meses encerrados em fevereiro, a inflação ficou em 2,77% no país.
“O Peru fez aquilo que o Brasil não fez”, afirmou Fernando Alves, presidente do Pricewaterhouse Coopers Brasil, ressaltando que o Brasil deve olhar o Peru como exemplo.
Alves destacou ainda que o Peru se apresenta como uma economia bem mais aberta do que a do Brasil, que sempre amargam posições ruins em rankings de competitividade e inovação. Quando se aponta para motivos para o Brasil estar crescendo pouco é justamente a estratégia comercial do país, que tem uma das economias mais fechadas do mundo.
E abrir o Brasil para o investimento estrangeiro pode ser um dos caminhos para uma economia mais pujante. “O Peru oferece hoje aquilo que o Brasil não oferece. O Brasil não tem tanta perspectiva do investimento estrangeiro, algo que o Peru oferece”. Como define Julio Velarde, uma economia mais aberta cria setores mais competitivos e, no caso peruano, favorece alianças e parcerias comerciais com diversos países.
Porém, mesmo sendo uma economia mais aberta e pujante, o Peru também enfrenta muitos desafios. No ano de 2014, o PIB do país teve uma alta de 2,35% em 2014, o menor resultado desde 2009 que, segundo o presidente do BC, deu-se em parte por um choque de oferta, enquanto o setor primário caiu 2% e o investimento público teve baixa de 3%.
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Além disso, uma das preocupações é com infraestrutura, sendo os maiores investimentos e estabelecimento de parcerias público-privasas uma das medidas para fazer com que o PIB do Peru volte a crescer de forma mais acelerada.