O que o Brasil deve fazer para a sua carne não ser tarifada pela China?

A discussão ocorre em um momento em que a Austrália acaba de atingir seu limite anual de exportações para a China

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Mattes/Wikimedia Commons)
(Foto: Mattes/Wikimedia Commons)

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A possibilidade de a China ampliar sua demanda por carne bovina brasileira reacendeu as discussões sobre a necessidade de ampliar a cota de exportação do Brasil para o mercado chinês.

O tema ganhou força depois que, segundo o Ministério da Agricultura (Mapa), o embaixador da China informou ao governo brasileiro que o país asiático deverá aumentar suas necessidades de importação de proteína nos próximos anos.

Atualmente, as exportações brasileiras de carne bovina para a China estão sujeitas a um sistema de cotas. Dentro do limite anual, a tarifa de importação é de 12%. Após o esgotamento da cota, a alíquota sobe para 55%, reduzindo significativamente a competitividade do produto brasileiro.

A discussão ocorre em um momento em que a Austrália acaba de atingir seu limite anual de exportações para a China e, a partir deste fim de semana, passará a enfrentar a tarifa de 55% sobre os embarques adicionais.

Segundo a Genial Investimentos, o Brasil também se aproxima desse limite. Cerca de 70% da cota anual, estimada em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, já havia sido utilizada até abril. Mantido o ritmo atual de exportações, o teto deverá ser alcançado por volta de agosto.

Na prática, porém, o prazo é ainda mais apertado. Como o transporte da carne até a China leva entre 50 e 60 dias, a janela para embarques que ainda se beneficiem da tarifa reduzida praticamente se encerra em meados de junho. A corretora espera que os maiores impactos ocorram entre agosto e setembro, com normalização dos embarques apenas em outubro, quando os exportadores começarem a se preparar para utilizar a cota de 2027.

Apesar do sinal positivo vindo do governo chinês, a Genial ressalta que uma eventual ampliação da cota ainda depende de negociações formais entre os dois países. Para a casa, a disposição de Pequim em discutir o tema deve ser vista, por enquanto, como um indicativo diplomático, e não como uma mudança concreta nas regras de comércio.

No longo prazo, a corretora avalia que o cenário permanece favorável para a demanda por carne bovina brasileira. A expectativa é de que a classe média chinesa dobre de tamanho e alcance cerca de 700 milhões de pessoas até 2032, sustentando o consumo de proteína animal. Ainda assim, a Genial considera esse potencial como uma opcionalidade para o setor, sem alterar, neste momento, suas projeções para as empresas exportadoras.

Impacto por frigorífico

Minerva (BEEF3)

Entre as empresas do setor, a Genial Investimentos avalia que a Minerva (BEEF3) é a mais exposta ao risco de esgotamento da cota chinesa, mas também a mais preparada para mitigar seus efeitos. Segundo estimativas da corretora, as exportações de carne bovina produzida no Brasil e destinadas à China representam entre 8% e 9% da receita consolidada da companhia.

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No entanto, analistas destacam que diversificação geográfica da companhia mitiga esse risco, pois a Minerva pode redirecionar seus clientes chineses para suas operações na Argentina, Uruguai e Colômbia.

A Colômbia fica totalmente fora da cota, e Argentina e Uruguai têm folga, seus volumes para a China em 2025 ficaram abaixo das cotas definidas em média trienal após direcionar a oferta para os EUA.

MBRF (MBRF3)

Para a Genial, a MBRF (MBRF3) tem exposição limitada ao risco da cota chinesa. A corretora estima que as vendas de carne bovina para China e Hong Kong representem cerca de 4% da receita consolidada da companhia, já que boa parte do negócio está concentrada na operação da National Beef, nos Estados Unidos, e na BRF, voltada para aves.

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Segundo a casa, a Marfrig já suspendeu temporariamente os embarques de carne bovina de origem brasileira para a China para evitar a tarifa de 55% sobre exportações fora da cota. O volume foi redirecionado para outros mercados, como os Estados Unidos, e a expectativa é de que os embarques para a China sejam normalizados entre setembro e outubro de 2026. A Genial avalia que o impacto financeiro da estratégia tende a ser limitado.

JBS (JBSS32)

A China é o destino dominante da carne bovina brasileira em todo o setor, e a JBS Brasil carrega essa exposição, mas a 17,5% do grupo, com a China também abastecida pela Austrália e 59% dos clientes do grupo concentrados no NAFTA, a sensibilidade em nível de grupo deve ser modesta.

A JBS também é uma das principais beneficiárias da arbitragem do prêmio dos EUA: entre as plantas brasileiras habilitadas para os EUA, Minerva, JBS e MBRF juntas respondem por 90% das exportações de carne bovina Brasil para EUA, com JBS e Minerva em 70%, de modo que a combinação de gado mais barato / prêmio nos EUA deve favorecer desproporcionalmente a JBS.

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