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Com queda de 12% no acumulado de novembro e baixa de 36% no ano, o mercado se pergunta: o que está acontecendo com as ações da Natura (NATU3)?
Somente no dia 11 de novembro, dia seguinte à divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25), os papéis recuaram 15,65%.
Essa queda registrada é reflexo, conforme ressalta o BB Investimentos, de uma soma de fatores.
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O primeiro ponto é sobre o contexto macroeconômico, que continua restritivo, com o encarecimento do crédito e a diminuição do poder de compra dos brasileiros, que, por precaução, consomem menos, especialmente bens não essenciais como os que a Natura comercializa.
Além disso, existem questões internas da companhia que afetaram bastante a confiança do mercado na tese da empresa. “A definição em relação ao destino da Avon – que agora está parcialmente resolvido com a venda da Avon CARD e com o anúncio do acordo vinculante para venda da Avon International ex-Rússia – era algo que o mercado esperava desde o início de 2024”, aponta o BB Investimentos.
A venda dessas duas operações deverá reduzir as incertezas em relação aos números futuros da companhia, dado que o mercado estava vendo os bons números da marca Natura, tanto Brasil como América Hispânica, serem negativamente impactados pela retração da operação da Avon ao longo dos últimos anos.
Soma-se a isso a Onda 2 de integração das duas marcas que ainda está em processo no México e na Argentina. “As sinergias e as oportunidades desse movimento estão tomando mais tempo do que o esperado pelo mercado para aparecer. Questões específicas do mercado argentino, como a hiperinflação e a adaptação à transição da revista em papel para uma 100% digital, também impactaram as operações da região”, avalia o BB Investimentos.
Em relatório recente, o JPMorgan ressalta que a pressão sobre a Avon em mercados como Brasil, México e Argentina continua a limitar a performance do grupo. A integração regional trouxe ganhos de rentabilidade, mas ainda não o suficiente para mudar a trajetória recente.
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Mesmo assim, o JPMorgan prevê um fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) com rendimento estimado de cerca de 12% em 2026, fator que ajuda a conter riscos, embora o mercado ainda aguarde sinais mais claros de retomada.
Outro ponto de atenção, conforme o JPMorgan, é a maturidade do canal de vendas diretas, que responde por cerca de 25% do mercado, mas que vem perdendo relevância diante da expansão do varejo físico e do comércio eletrônico. Os analistas observam que a Natura tem buscado diversificar canais, mas o movimento ainda é gradual.
O Morgan Stanley ressalta que os números recentes trouxeram desafios: a receita caiu 13% e o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recuou 33% no trimestre, abaixo das estimativas do Morgan Stanley.
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Diante disso, o banco revisou para baixo suas projeções de receita e Ebitda em 8% para 2026 e 2027, além de reduzir o lucro líquido estimado em até 22%.
O que esperar?
O Morgan segue com recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado), mantendo o preço-alvo em R$ 10, refletindo cautela quanto à recuperação da Avon e à execução das metas.
A venda da Avon Internacional (exceto Rússia), prevista para o primeiro trimestre de 2026, deve permitir à Natura focar nas operações latino-americanas e retomar a geração de caixa, reduzindo a alavancagem para níveis considerados ideais. Em conversa com o banco, a Natura também sinalizou intenção de voltar a distribuir capital aos acionistas após concluir o processo de simplificação.
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Apesar dos avanços estratégicos, o Morgan Stanley avalia que ainda é necessário maior visibilidade sobre a recuperação operacional para justificar uma posição mais otimista.
O BB Investimentos também tem recomendação equivalente à neutra para as ações da Natura. Para os próximos meses, a equipe de análise ainda considera um cenário desafiador para a companhia, com uma melhora nos dados macroeconômicos somente a partir do 1T26, quando espera o início do ciclo de queda de juros no Brasil.
“Vemos como positivo o movimento de simplificação que a companhia vem promovendo, além de reconhecer que a marca Natura ainda possui força e capilaridade. Entretanto, entendemos que o contexto macro continua restritivo para empresas varejistas como a Natura Cosméticos”, aponta.
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De um modo geral, de 11 casas que cobrem o papel, segundo compilação da LSEG, apenas 3 possuem recomendação de compra, enquanto 8 possuem recomendação neutra.
