O que esperar do Itaú (ITUB4) em 2026?

O Itaú entra em 2026 como um ativo que já carrega boa parte das expectativas do mercado nos preços, mas analistas seguem otimistas em sua maioria

Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

Agência do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)
Agência do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)

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O Itaú (ITUB4) se apresenta, nos últimos anos, como melhor nome entre os grandes bancos e assim deve permanecer em 2026. Para Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital, o nome é o melhor do setor, não importa qual janela que se olhe.

“Podemos considerar até mesmo janelas de 5 anos, 10 anos, 20 anos, que o Itaú foi bem. Pegando uma janela mais recente na pandemia e pós-pandemia, o banco foi muito bem, mesmo com choque inflacionário, o Selic subindo. É um banco que vai muito bem em qualquer cenário”, afirma.

Para 2026, a expectativa é de resultados igualmente fortes, com ROE (retorno sobre o patrimônio), na faixa de 23, 24%. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) consolidado ficou em 23,3%, de 22,7% um ano antes, conforme os números publicados nesta terça-feira pelo banco. Apenas no Brasil, o ROE passou de 23,8% para 24,2% ano a ano.

Viva do lucro de grandes empresas

O Itaú entra em 2026 como um ativo que já carrega boa parte das expectativas do mercado nos preços. Segundo a avaliação do gestor, o banco negocia próximo de duas vezes o preço sobre o valor patrimonial, em torno de 1,9 vez, e cerca de nove vezes o lucro, patamares que refletem um cenário relativamente favorável já embutido no valuation.

Apesar desse nível de precificação, o especialista ressalta que o Itaú segue sendo um ativo de extrema qualidade dentro do mercado brasileiro. Trata-se de uma ação amplamente presente nas carteiras dos gestores locais, com peso relevante nos índices e elevada liquidez, características que reforçam sua atratividade, especialmente em momentos de maior fluxo de capital.

Nesse contexto, o banco costuma ser um dos principais destinos do investidor estrangeiro quando há entrada líquida de recursos no país. Utsch observa que, em um cenário de fluxo estrangeiro positivo — movimento que a Nero Capital acredita ter continuidade — o Itaú naturalmente permanece no radar, sustentado por sua solidez, consistência na entrega de resultados e qualidade operacional.

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Por outro lado, o gestor pondera que o espaço para uma valorização excepcional é limitado justamente porque o valuation já se encontra em níveis elevados. Ainda assim, o ativo continua oferecendo um retorno ajustado ao risco considerado bastante interessante, o que justifica a manutenção da posição em carteira, sobretudo para investidores com foco em estabilidade e previsibilidade.

Do ponto de vista operacional, a expectativa é de que o segmento de seguros continue sendo um dos principais vetores de crescimento dos resultados. Além disso, a área de serviços, que ficou mais pressionada nos últimos períodos, pode apresentar melhora ao longo de 2026, contribuindo de forma mais consistente para o desempenho do banco.

Outro destaque está na estratégia voltada para o público de alta renda e private banking. Segundo Utsch, o Itaú tem feito um esforço relevante para expandir essa frente, o que deve acelerar o processo de maturação desses negócios. Esse conjunto de fatores resume as principais perspectivas para o banco em 2026, combinando qualidade, resiliência e crescimento gradual, ainda que sem grandes surpresas no valuation.

O BB-BI destacou o Itaú como um de seus preferidos no setor bancário para o ano de 2026.

“O Itaú vem apresentando resultados sólidos de forma consistente, tendo sustentado um ROE recorrente de 23,3% e lucro líquido gerencial de R$ 11,9 bilhões no 3T25, mesmo diante de pressões pontuais de custos”, pontua o banco, ressaltando que esse desempenho reflete a força da margem com clientes, receitas diversificadas e qualidade de crédito estável, com inadimplência acima de 90 dias em apenas 1,9%.

Para 2026, apesar da projeção de atividade econômica moderada, o banco vê na normalização da política monetária um fator que deve continuar contribuindo para uma expansão orgânica de crédito, mantendo as tendências de margem com clientes e monetização de serviços robustas, enquanto margem com o mercado deve mostrar também alguma melhora, desenhando um conjunto equilibrado. “Nesse contexto, a robustez operacional do Itaú, aliada à disciplina na gestão de riscos, posiciona o banco para continuar capturando ganhos de escala mesmo em um ambiente de seletividade ainda como fator de grande significância”, ressalta.

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De acordo com compilação de recomendações da LSEG, de 9 casas que cobrem o papel, 8 possuem recomendação de compra e 1 recomenda manutenção dos ativos.