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O que esperar de Campos Neto em sua 1ª reunião do Copom como presidente do BC

Mercado se questiona sobre tom do novo banqueiro central e se haverá mudanças nas taxas de juros

SÃO PAULO – Termina nesta quarta-feira (20) às 18h a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) comandada pelo novo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Há sete reuniões (período de um ano), a Selic é mantida em 6,5% ao ano e, agora, com Campos Neto, o mercado se questiona sobre o tom de comunicação do novo banqueiro central. Além disso, volta à tona o debate sobre corte de juros.

Roberto Secemski, economista do Barclays, afirma que a expectativa é de continuidade no BC, mesmo sob novo comando. Ele lembra, por exemplo, que Campos Neto citou “cautela, serenidade e perseverança” na condução da política monetária durante a audiência na CAE, no Senado. Esses termos foram utilizados nos últimos comunicados do Copom sob a gestão de Ilan Goldfajn, que seguiu sua estratégia de manutenção de juros nas últimas reuniões. 

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“Isso, e a continuidade da maior parte dos diretores e membros do Copom, nos sugere que a Selic será mantida no patamar atual de 6.5% na semana que vem e nas próximas reuniões”, diz. Secemski afirma ainda que não vê alterações nos juros enquanto não houver a aprovação da reforma da Previdência.

Daniel Weeks, economista-chefe na Garde Asset Management, também acredita em uma manutenção dos juros e diz que o tom do Copom deve ser similar ao das reuniões anteriores.“Ninguém mudou de cabeça só porque mudou o presidente do BC”, diz.

“Obviamente que existe no cenário um evento importante, que é a reforma da Previdência. Então é mais um incentivo para o BC não fazer nada enquanto espera por esse evento”, diz. Porém, ele faz uma ponderação: “a atividade econômica está mostrando sinais de fraqueza [em referência aos últimos dados de atividade divulgados por órgãos oficiais], então temos que ver como será a reação dele [Campos Neto] com relação a tudo isso”.

A opinião de um viés mais ‘conservador’ do novo BC é compartilhada por Alberto Ramos, diretor do departamento de pesquisas econômicas para a América Latina do Goldman Sachs. 

Ele também crava a manutenção da Selic na reunião desta quarta-feira. Já para as próximas reuniões, ele ressalta que há sim a possibilidade de corte na taxa de juros, mas o espaço é limitado.

“Não dá pra fazer um corte de 200 pontos base [nas próximas reuniões] e, se isso acontecesse, não seria sem nenhum grau de risco”, diz.

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Ele explica que a relação entre a reforma da Previdência e as taxas de juros se dá pelo fato de que os preços dos ativos brasileiros possuem um prêmio de risco em meio ao cenário de deterioração fiscal. Neste caso, se aprovadas as reformas, maior seria a confiança dos investidores. “O BC poderia operar com uma taxa de juros menor se o risco-Brasil fosse menor”, escreve.

O outro lado

Dados recentes da atividade econômica mostram que a recuperação tem vindo a passos lentos. A produção industrial caiu em janeiro, o PIB segue fraco e a inflação permanece comportada. Com isso, alguns economistas acreditam que o patamar atual da taxa de juros não tem sido suficiente para estimular a economia.

É o caso de Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra. Em estudo, Kawall afirma que passou a reconhecer a necessidade de um estímulo monetário adicional para garantir uma trajetória de crescimento mais robusto e, ao mesmo tempo, minimizar a probabilidade de entregarmos trajetórias de inflação inferiores às metas nos próximos anos.

Neste cenário, o Safra cortou sua estimativa para a Selic no fim de 2019 para 5,5% – desde que ocorra a aprovação da reforma da Previdência.

Uma pesquisa feita pela XP Investimentos com 30 gestoras de fundos indicou que um terço delas acredita que os juros cairão até o fim do ano.

Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg, disse à Bloomberg que é possível que, já nesta reunião do Copom e no Relatório Trimestral de Inflação, o BC faça alguma revisão para baixo em relação à atividade. “Pode não eliminar ainda a assimetria dos riscos, mas caminhar em direção a um equilíbrio maior”, afirmou.

Assim, apesar de não esperarem por uma mudança na taxa de juros, os economistas e investidores estarão bem atentos ao comunicado do novo Comitê. Qualquer sinalização do novo presidente do Banco Central será importante para guiar as próximas perspectivas sobre a taxa de juros no Brasil. 

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