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SÃO PAULO – As sociedades anônimas de capital aberto são obrigadas no Brasil a manter uma função denominada Diretoria de Relações com Investidores. O objetivo é estruturar um canal oficial de comunicação entre a empresa e os investidores, para que as informações disponibilizadas no mercado tenham a coerência de uma única fonte de emissão.
A área tem um papel importante em atrair recursos para a empresa, e precisa obedecer a algumas normas legais. O acionista tem vários direitos, como por exemplo, de transparência. Confira aqui quais são as principais atividades da área de RI e como interagir com ela de modo benéfico para ambas as partes.
Quem ela busca atender
Entende-se por investidores todos os agentes do mercado financeiro, incluindo corretoras, bancos de investimento, investidores institucionais, investidores individuais e etc. Assim, a área de RI deve prestar contas às entidades oficiais, às entidades patronais e às entidades de classe de investidores.
São exemplos da primeira classe a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e as Bolsas de Valores. Na segunda categoria, estão a Associação Brasileira de Companhias Abertas (Abrasca), o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), e o Instituto Brasileiro de Conselheiros de Administração (IBCA). Já como entidades de classe de investidores, temos a Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) e o Instituto Brasileiro dos Executivos Financeiros (Ibef).
Necessidade de informações
Para poder avaliar eficazmente a ação de uma empresa, o investidor precisa de informações. Elas são disponibilizadas pela área de relações com investidores. A intenção é projetar o futuro da empresa e o seu valor, bem como avaliar o fluxo possível e provável de dividendos.
A análise dos demonstrativos contábeis é necessária, mas não suficiente. Os investidores desejam saber também de informações de cunho estratégico, como produtos, setor de atuação, negócios, parcerias, entre outros. O futuro, e não apenas o presente, é importante para os investidores.
Dentro dos relatórios, um se destaca, o Relatório de Administração, ou Relatório Anual, obrigatório paras as sociedades por ações, sejam elas abertas ou fechadas. No documento, é preciso conter os principais aspectos que motivaram o desempenho da empresa no último exercício, sanando quaisquer dúvidas do mercado. Decisões fundamentais devem ser descritas, bem como seus resultados.
Administração das expectativas
Os investidores e analistas de investimento preferem aquelas empresas que tendem a oferecer desempenho previsível. Nesse sentido, um papel fundamental da área de RI é ajudá-los a administrar suas expectativas, gerando o mínimo possível de surpresas. São dois os principais componentes das relações com investidores, a comunicação e a construção de relacionamentos.
Não é interessante para a área de relações com investidores “iludir” os acionistas quanto ao futuro da empresa, uma vez que assim ela perde credibilidade e, portanto, aceitação no mercado. Certamente, julgamentos errôneos prejudicam tanto o investidor quanto a empresa.
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Instrumentos de comunicação com os investidores
O primeiro meio de comunicação é o Relatório Anual da Administração, dentro dos demonstrativos contábeis publicados em jornais de circulação entre os investidores. O segundo instrumento se refere aos relatórios trimestrais resumidos, obrigatórios apenas para as companhias abertas, e são distribuídos por mala direta para os acionistas, investidores institucionais, revistas, entidades de investimento e investidores e empresas cadastradas.
O terceiro meio que pode ser citado consiste nas reuniões periódicas com investidores e instituições. Existem também outros instrumentos de comunicação, que sãs as visitas de analistas de investimentos e investidores à empresa, com apresentações institucionais. Por fim, é importante que haja postos de atendimento permanentes aos investidores e analistas, para esclarecer eventuais dúvidas.
Ou seja, é através da área de relações com investidores que a empresa disponibiliza informações relevantes e tem, como contrapartida, a entrada de mais acionistas. Algumas empresas, principalmente aquelas que possuem ADRs nos Estados Unidos, estão mais avançadas nesse conceito de relacionamento com o mercado. É importante pensar que os interesses dos investidores e da área de RI são alinhados, e não conflitantes.