Análise

O que dois indicadores mostram sobre as maiores altas e as maiores baixas da bolsa na década

Estudo realizado pela Rico Investimentos aponta que combinação entre ROE elevado e P/L baixo pode representar uma boa oportunidade de investimento em ações

SÃO PAULO – A década de 2010 foi de ganhos para a bolsa brasileira, com o Ibovespa registrando alta de 68,6% no período. Porém, conforme destaca estudo feito por Matheus Soares, analista da Rico Investimentos, o benchmark da bolsa brasileira perdeu de “lavada” das bolsas americanas: o Dow Jones (+173,7%), o S&P500 (+189,7%) e notoriamente o Nasdaq (+295,4%) mais que dobraram de valor no período.

Mesmo com o Ibovespa não enchendo tanto os olhos dos investidores na comparação com os principais índices dos EUA, algumas ações (compondo ou não o índice da B3) registraram um desempenho bastante forte durante o período, com ganhos superiores a 500%. Por outro lado, outros papéis tiveram um fraco desempenho, chegando a ter perdas de quase todo o capital de quem investiu seu dinheiro neles no início da década passada.

Soares traçou uma análise com os 20 melhores e os 20 piores desempenhos entre as ações da bolsa no período e apontou duas características presentes em ambas as listas de ações ao comparar duas métricas: o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, um dos principais indicadores de rentabilidade de uma empresa) e o P/L (múltiplo da relação entre o preço da ação sobre o lucro) delas.

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A análise exclui os ativos com baixíssima liquidez e as que não existiam em dezembro de 2009.  Este é o caso do Magazine Luiza (MGLU3), que fez IPO em maio de 2011 e, desde então, saltou mais de 2.500% (conforme dados da Economatica).

Confira abaixo a lista das 20 maiores altas e das 20 maiores quedas da década:

(Elaboração: Rico Investimentos)

Entre as empresas que viram suas ações registrarem as maiores altas, o analista da Rico avalia que a maior parte delas detinha ROEs de duplo dígito (com exceção de Sanepar e Unipar). A relação preço sobre lucro, por sua vez, era abaixo de 10 vezes no início da década, enquanto algumas ações com P/L elevados, como Alpargatas (ALPA3;ALPA4), Weg (WEGE3) e Localiza (RENT3), ficaram ainda maiores ao final da década. Contudo, o múltiplo não era extremamente elevado para nenhuma companhia, avalia Soares.

Além disso, houve a presença de apenas uma estatal na lista (a já citada empresa de saneamento paranaense Sanepar)  e no geral não houve um setor específico predominante, passando desde companhias de varejo mais voltadas para vestuário (como Alpargatas e Renner), de farmácias (RD e Dimed), elétricas (Energisa e Taesa)  e industrial (como a Weg).

Já entre as maiores baixas, estão empresas que detinham ROE’s de apenas um dígito ou negativos. Apenas Eternit (ETER3) e Vulcabrás (VULC3) apresentaram duplo dígito baixo para o ROE. Com relação ao P/L, a maior parte também possuía o múltiplo acima de 10 ou negativos no início da década.

Para entender melhor essas métricas, vale destacar que o ROE é medido através da divisão do lucro líquido pelo patrimônio líquido, indicando o quanto de retorno a empresa consegue gerar a partir de seus próprios recursos e do dinheiro dos investidores. Assim, quanto maior o ROE, maiores são as chances de valorização dos ativos mais à frente.

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O P/L, por sua vez, indica o número de anos que um investidor levaria para recuperar o capital investido na ação: quanto maior, mais cara entende-se que a ação está. Caso o PL seja de 10, significa então que serão necessários 10 anos para retornar o investimento. Quando a empresa apresenta prejuízo no exercício, o P/L será negativo, como foi o caso de empresas como a Eneva (ENEV3) e a Oi (OIBR3;OIBR4) no início da década.

Ao olhar para essas duas métricas é possível tirar algumas conclusões, conforme aponta o analista da Rico: “É interessante ver que as melhores performances já se mostravam boas empresas em anos anteriores, enquanto os piores desempenhos já se mostravam de pouca qualidade, mas com P/L elevado”.

Assim, apesar de não ser suficiente olhar somente para essas métricas na hora de investir em uma ação, esses podem ser bons sinais sobre o potencial de alta dela: um papel com P/L baixo e ROE alto mostra que a empresa consegue gerar bons retornos para os investidores, mas que boa parte dele pode não estar precificado na ação.

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