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SÃO PAULO – Em meio à batalha entre os republicanos e os democratas nos últimos dias, que ainda parece bastante longe de uma conclusão, os temores de que os Estados Unidos entre default aumenta no mercado.
E o dia 17 de outubro será considerado D no mercado, com a discussão em torno do teto da dívida voltando à discussão novamente. Washington tem que chegar a um acordo para que o limite de endividamento aumente e, desta forma, evitar que os pagamentos de algumas obrigações não sejam honrados.
As tensões do mercado devem aumentar conforme o dia 17 vai se aproximando. Contudo, parte dele não acredita que os EUA chegarão a não pagar as suas obrigações. Porém, na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou que, se o Congresso não elevar o teto da dívida, o país não “poderá pagar a sua dívida pela primeira em 200 anos”, o que pode ser catastrófico. “Não há boa opção no caso de um default, não há como evitar o caos resultante disto”, ressaltou.
Apesar de poucos acreditarem que haverá um default nos EUA, o mercado já faz apostas sobre o quão desastroso ele possa ser para os mercados caso ele seja confirmado. O próprio FMI (Fundo Monetário Internacional), apesar de ver como baixo o risco de que os EUA entre em default, “o fracasso das negociações para aumentar sem demora o teto da dívida, que se traduziria em um descumprimento de pagamentos seletivo para os Estados Unidos, poderia danificar seriamente a economia mundial”.
De acordo com o FMI, o dano para as economias dos EUA provavelmente será limitado se o fechamento administrativo for breve, mas pode ser bastante prejudicial caso se prolongue. De olho nas discussões sobre a elevação do teto da dívida, na véspera, a instituição cortou as perspectivas de crescimento para a economia global, de 3,6% para 2,9% neste ano. Vale ressaltar que o FMI cortou a previsão do PIB do Brasil e destacou que ele será o pior dos emergentes, com crescimento de 2,5% para este ano.
Banco Mundial alerta: default pode ferir emergentes e mais vulneráveis
O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, destacou que até mesmo uma ameaça de default nos EUA pode ferir os mercados emergentes e atingir a população mundial mais vulnerável.
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“Estamos muito preocupados . Porque agora há tantas adversidades tanto para os mercados emergentes quanto para os países em desenvolvimento, que esse tipo de impacto realmente poderia ser devastador”, disse Kim em entrevista à CNN. Ele lembrou do impacto que o mercado sofreu em agosto de 2011, última vez que os Estados Unidos se aproximou do calote da dívida, que também levou à queda dos mercados nos países em desenvolvimento.
Conforme destacou o presidente do Banco Mundial, a queda dos mercados não afetou apenas as grandes empresas, mas também os pequenos empresários e os agricultores de todo mundo. Enquanto isso, a LCA Consultores, apesar de não tê-lo como cenário base, destaca que o default pode provocar um desarranjo financeiro tão ou mais significativo do que o episódio da quebra do banco Lehman Brothers, que empurrou a economia mundial para uma forte e prolongada recessão.
E ressalta, somente o arrastar das negociações para por fim ao impasse já geram efeitos na economia: “quanto mais tempo durar o impasse político, maior o risco de que se frustrem as perspectivas benignas de aceleração do crescimento norte-americano e mundial que projetamos para o ano que vem”, destacou.
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Desta forma, se os Estados Unidos já vêm guiando o desempenho das bolsas mundiais e, principalmente da brasileira, num cenário em que busca a redução da compra de títulos pelo Federal Reserve, a possibilidade de um default pode aumentar os temores e afetar ainda mais os mercados financeiros e também a economia dos países emergentes.
Efeitos na Europa
Conforme destaca reportagem da CNBC, o não pagamento das obrigações norte-americanas será extremamente ruim para a frágil economia Europeia e, principalmente, para os países periféricos da região da zona do euro.
“A Europa alcançou uma posição de início de recuperação mas ela ainda é bastante frágil”, aponta o chefe do Deutsche Bank de economia europeia, ressaltando o cenário de vulnerabilidade do continente.
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Sem que o Tesouro norte-americano consiga levantar mais dinheiro, os setores financeiros da Europa e dos EUA estarão, ambos, em maus lençóis, uma vez que são intimamente conectados. Além disso, aponta a reportagem, um default nos EUA pode parar uma das engrenagens da recuperação da Europa: as exportações. Um dólar mais fraco deve tornar as exportações europeias mais caras, diminuindo a competitividade da região, justamente em um período de ajustes dolorosos. Vale ressaltar que este movimento também afetaria os países emergentes. Assim, a recuperação estaria em jogo, fazendo com que os prêmios de risco da Europa subam de forma estrondosa novamente.
Neste cenário, os efeitos no Sul da Europa, podem ser particularmente piores, principalmente na Espanha, Itália, Grécia e Portugal, uma vez que a recuperação econômica que está em andamento está num ritmo muito mais lento do que no norte da Europa.