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SÃO PAULO – Dois dos maiores executivos do mundo se encontraram neste fim de semana. Warren Buffett e Jorge Paulo Lemann são conhecidos por comandar algumas das empresas mais conhecidas do planeta, incluindo acordos bilionários feitos entre eles, mas o que acontece quando eles estão juntos? Alguns poucos sortudos puderam ver no último sábado, na “Brazil Conference 2017”, que ocorreu na Harvard Business School, em Cambrige.
Em seus comentários, os dois investidores fizeram uma forte defesa dos mercados abertos, do livre comércio e dos Estados Unidos como um ótimo lugar para fazer negócios. “Sou partidário do livre comércio e da globalização”, disse Lemann, que é um dos fundadores da 3G Capital, proprietária de marcas como Burger King, Anheuser-Busch e Heinz.
“Eu acho que se você olhar para trás na história, os países que se dedicaram ao comércio se beneficiaram enormemente”, disse ele. Lemann e Buffett se conheceram quando ambos estavam no conselho de Gillette.
Nessa época, Lemann estava vendendo o Banco de Investimentos Garantia e Buffett perguntou se ele estava feliz em vender seu banco e por que estava fazendo aquilo. Foi então que o suíço-brasileiro explicou que não queria acabar como alguém que fica apenas executando operações, como no Goldman Sachs. Ele disse que preferiria ser como o Buffett: “você tem melhor controle do seu tempo, tem um senso de humor melhor e é muito mais rico”.
Apesar de se conhecerem a muito tempo, foi só em 2013 que eles fizeram o primeiro acordo, quando a 3G Capital e a Berkshire Hathaway, de Buffett, se uniram para comprar a Heinz por US$ 23 bilhões. Dois anos mais tarde, a 3G Capital, novamente junto com Buffett, fundiu a Heinz com a Kraft Foods.
“Considero um dos maiores erros na minha vida que nós realmente não nos unimos como parceiros antes disso”, reconheceu Buffett no último sábado, mas afirmou que, desde que fizeram negócios juntos, “estamos no mesmo comprimento de onda”.
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Sobre o acordo, Lemann contou que os dois estavam em Colorado quando ele sugeriu a união, ao passo que Buffett respondeu: “soa bem para mim”. “E um pouco mais tarde, ele enviou uma página de termos financeiros e uma página de termos de governança, e como teria sido o caso se eu estivesse fazendo algo com meu parceiro Charlie Munger, basicamente eu não precisava mudar uma palavra”, disse Buffett.
Lemann, por sua vez, ficou surpreso com a rapidez com que as coisas progrediram com a Berkshire. “Nós enviamos um breve memorando. Eu liguei para ele e eu disse: ‘Warren, você está interessado?’ E ele disse: ‘Sim, estou interessado.’ E eu disse: ‘Você gostaria que passássemos e explicássemos mais detalhadamente a transação?’ Ele disse: ‘Quanto dinheiro você precisa?’, E eu disse: ‘US $ 14 bilhões’, e ele disse: ‘OK'”
“Então isso me abalou, e então eu disse, ‘E quanto a governança?’, E ele respondeu: ‘Bem, me envie um memorando e se está O.K, está O.K.'”. Segundo Lemann foi exatamente esta simplicidade que os uniu como parceiros. Os dois também têm em comum o fato de procurarem empresas como grandes marcas de consumo bem conhecidas e que são atraentes a longo prazo. “No final, estamos executando coisas para o longo prazo e construindo empresas que durarão para sempre, se possível”, disse Lemann.