Primeiras leituras

O PT não dá tréguas a Dilma

Lula fez um mea culpa meio envergonhado ao dizer que “se excedeu ao criticar os petistas”, ele não reconheceu publicamente que cometeu algum “ato falho” ao criticar o governo da presidente Dilma Rousseff

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Muito embora, assim como uma mea culpa meio envergonhado, o ex-presidente Lula tenha dito que “se excedeu ao criticar os petistas”, ele não reconheceu publicamente que cometeu algum “ato falho” ao criticar o governo da presidente Dilma Rousseff e seu próprio partido  em dois eventos públicos nos últimos dez dias – um para religiosos e outro num evento promovido pelo Instituto Lula.

O que acabou estimulando os petista, que no V Congresso de Salvador vinte dias atrás evitaram ataques à política econômica, um nó na garganta petista, a voltarem à carga ontem. Na nota executiva nacional, desde São Paulo, onde Lula tem seu QG e controla cada passo partidário, o PT pediu “medidas urgentes de reorientação”, das políticas do ministro Joaquim Levy, entre elas a redução da meta de superávit fiscal.

Esta resolução que responde às cobranças anteriores do próprio ex-presidente Lula, preocupado com o desempenho eleitoral do PT e dele em 2016 e 2018. E ainda endurece o confronto com os investigadores da Operação Lava-Jato, outra pedra no sapato deles.

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Quatro dos 16 itens da resolução são dedicados à investigação. Sem mencionar diretamente o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato, o presidente do PT, Rui Falcão, classificou de “inexplicável e inaceitável” a manutenção da prisão do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto.

Porém, em contradição com as posições defendidas normalmente pela legenda, a resolução da executiva petista defendas as empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato.

Para tentar ajustar a situação da base aliada no Congresso, o ex-presidente Lula tem viagem marcada para Brasília segunda-feira, informa o jornal “O Estado de S. Paulo”. Curiosamente, por coincidência, a presidente Dilma Rousseff não estará na capital da República no princípio da semana que vem, em viagem oficial aos Estados Unidos. Não será, portanto, agora que os dois se reaproximarão depois das recentes  críticas de Lula à presidente.

São duas as queixa de Lula: suas orientações não são levadas em consideração por Dilma e o governo não tem feito o menor esforço para conte a Polícia Federal na Operação Lava-Jato. Ao alvos principais são o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Escreve o repórter Raymundo Costa no “Valor Econômico”, corroborando as interpretações sobre o subido ataque de autonomia no PT, que, entre salvar o governo e salvar o PT, Lula e os petistas preferem salvar o partido. Repita-se, 2018 está tirando o sono do PT. O rito de passagem até lá é 2016, nas eleições municipais, E o PT sabe que atado a governo se está não melhorar sua performance, vai quase se desmilinguir.

ATENÇÃO –  Graças à ação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o governo conseguiu finalizar, a votação do projeto que aumenta a tributação sobre a folha de pagamentos. Depois de ceder à pressão do relator, Leonardo Picciani (PMDB-RJ) e de partidos aliados e dar tratamento especial a cinco setores da economia (transporte, comunicação social, call center, alguns alimentos da cesta básica e calçados) o governo perdeu na votação de uma das emendas e parte de um outro setor será beneficiado nas exceções: o de confecções e acessórios. O texto segue agora ao Senado. Ao ceder para poder aprovar o projeto, o governo que previa uma arrecadação extra de R$ 12, 5 bilhões, já viu a previsão ser reduzida a R$ 10 bilhões, segundo cálculos do relator Picciani. Não era o que o ministro da Fazenda queria.

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Outros destaques dos

jornais do dia

– GOVERNO REDUZ TOLERÂNCIA DA META DE INFLAÇÃO – No esforço para recuperar a credibilidade da política econômica e reafirmar o compromisso com o combate à inflação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) reduziu a tolerância da meta de inflação de 2017. A meta foi mantida em 4,5% ao ano, mas poderá oscilar para cima ou para baixo em até 1,5 ponto percentual, o que resulta em um teto de 6%, um patamar 0,5 ponto abaixo do limite atual, de 6,5%. O conselho tomou ainda uma medida que, na prática, impede que a Petrobras contrate novos empréstimos no BNDES.

– O DEFICIT NAS CONTAS PÚBLICAS – Com um cenário de arrecadação enfraquecida e despesas elevadas, o governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou um déficit primário de R$ 8,050 bilhões em maio. Isso significa que a equipe econômica não conseguiu poupar nenhum centavo para pagar juros da dívida pública no quinto mês do ano. O número é o segundo pior da série histórica do Tesouro iniciada em 1997. Ele perde apenas para maio de 2014, quando o déficit primário foi de R$ 10,446 bilhões. No acumulado de 2015, o resultado do governo central foi um superávit primário de R$ 6,626 bilhões. Ele representa uma queda de 65,6 % em relação aos primeiros cinco meses de 2014, quando o saldo acumulado era positivo em R$ 19,286 bilhões. Esse foi o pior resultado para o período janeiro-maio desde 1998.

– ARRECADAÇÃO EM BAIXA – A economia enfraquecida bateu em cheio na arrecadação. O governo arrecadou R$ 91,5 bilhões com impostos e contribuições federais em maio, o pior registrado para o mês nos últimos cinco anos. O valor representa uma queda real (acima da inflação) de 4,03% em relação a maio do ano passado. No acumulado de 2015, a sociedade brasileira já pagou R$ 510,117 bilhões em tributos federais, o pior desempenho desde 2011, quando as receitas somaram R$ 500,718 bilhões. O montante significa uma redução de 2,95% sobre 2014.

– RENDA DO TRABALHADOR EM QUEDA/ DESEMPREGO EM ALTA – A economia enfraquecida bateu em cheio na arrecadação. O governo arrecadou R$ 91,5 bilhões com impostos e contribuições federais em maio, o pior registrado para o mês nos últimos cinco anos. O valor representa uma queda real (acima da inflação) de 4,03% em relação a maio do ano passado. No acumulado de 2015, a sociedade brasileira já pagou R$ 510,117 bilhões em tributos federais, o pior desempenho desde 2011, quando as receitas somaram R$ 500,718 bilhões. O montante significa uma redução de 2,95% sobre 2014.

– A taxa de desemprego ficou em 6,7% em maio, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, que inclui dados de seis regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre). É maior taxa para o mês desde 2010, quando foi de 7,5%. Em abril, a taxa já havia subido de 6,2% em março para 6,4%, a maior desde maio de 2011. Em maio de 2014, a taxa foi de 4,9%.

E MAIS:

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– “Dilma defende livre expressão” (Globo)

– “Cunha sobre reajuste dos aposentados: foi um erro” (Globo)

– “35 mil estão em férias na zona Franca” (Estadão)

– “Credores dão fim de semana como último prazo para a Grécia” (Valor)

– “Gasto obrigatório cresce a União corta investimento” (Valor)

– “Brasil e Argentina decidem prorrogar acordo automotivo por mais um ano” (Valor)

– LEITURAS SUGERIDAS

1.      Miriam Leitão – “O risco da rejeição” (diz que é real a possibilidade de rejeição das contas de Dilma em 2014) – Globo

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2.      Editorial – “Aperta-se o cerco a Dilma” (diz se Lula de fato se descolar se sua criatura, os desdobramentos da crise são imprevisíveis” – Estadão

3.      Rodrigo Leandro de Mora – “Se correr a inflação pega, se ficar a inflação come” (sobre a queda na renda dos trabalhadores) – Estadão

4.      Luiz Carlos Mendonça de Barros – “O ajuste da economia continua forte” (comenta que não há inflação que resista a um cenário de renda em queda, medo do desemprego e redução de investimentos” – Folha

5.      Claudia Safatle – “A ofensiva predatória sobre o governo Dilma” (sobre a ofensiva conta Levy e Tombini. Diz que recessão antecede a Levy e não decorre apenas dos juros) – Valor