“O pior já passou”: gigante asiático vê avenida para ouro disparar 47% em 1 ano

Braço de gestão do DBS avalia que a correção está no fim e mostra, em simulação desde 1998, que uma fatia de ouro reduz a perda máxima de carteiras de ações e renda fixa - e indica alocar até 10% no metal

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O ouro é negociado nesta terça-feira (29) perto de US$ 4.150 por onça, próximo da mínima em dois meses, e acumula queda de cerca de 6,5% no último mês. No entanto, essa trajetória negativa pode estar perto do fim, abrindo oportunidade para o investidor engordar a alocação no metal diante de riscos crescentes no horizonte.

A avaliação é do braço de gestão do DBS, o maior banco do Sudeste Asiático. “O ouro não precisa de uma nova história de investimento”, diz o banco em relatório publicado nesta terça. Os estrategistas atribuem o apelo do metal a características que pouco mudam ao longo do tempo, como escassez, liquidez, reconhecimento global e ausência de risco de calote.

A pressão sobre o ouro começou em janeiro, quando a indicação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) levou o mercado a prever uma política monetária mais dura, e o metal caiu 14%. Na sequência, a guerra no Irã encareceu a energia e reforçou os temores de inflação, o que manteve o ouro em tendência de baixa nos seis meses seguintes.

No entanto, a aposta do DBS é que “o pior já passou”. “Parece que estamos nos estágios finais de um ajuste de posicionamento e de valuation, e não no fim da tese estrutural de alta do ouro”, dizem os estrategistas.

Na visão do banco, a fase de desmonte de posições está perto do fim devido a quatro razões. A primeira é que o mercado de energia está se adaptando ao conflito, o que reduz os riscos inflacionários. A segunda é a demanda firme de investidores asiáticos quando o preço se aproxima de US$ 4.000 por onça.

A terceira razão vem da China, onde bancos suspenderam ou elevaram de forma significativa as margens exigidas de pessoas físicas para operar metais preciosos ligados à Bolsa de Ouro de Xangai. Com menos alavancagem no varejo, o banco avalia que diminui o risco de vendas forçadas em série e que o mercado passa a depender mais de compras físicas, de bancos centrais e de alocações de longo prazo.

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Por fim, a alta dos juros longos reacende preocupações fiscais. O rendimento do Treasury de 30 anos superou 5,34%, o maior nível desde 2007, e os títulos de mesmo prazo da Alemanha, do Reino Unido e do Japão também estão nas máximas em vários anos. Para o DBS, esse cenário pode devolver ao ouro o papel de proteção contra a desvalorização das moedas.

O banco cita ainda sinais técnicos de que os vendedores forçados já saíram do mercado, como fechamentos sustentados acima de US$ 4.000, saídas de ETFs de ouro em estabilização e posições especulativas menos extremas nos mercados futuros.

Até quanto o ouro pode chegar e quanto investir?

A casa projeta que o metal feche 2026 em US$ 5.300, uma alta de cerca de 28%, e siga acelerando a cada trimestre ao longo de 2027, alcançando US$ 6.100 por onça até o terceiro trimestre do próximo ano, cerca de 47% acima do patamar atual.

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TrimestrePreço-alvo (US$/onça)
4º tri 20265.300
1º tri 20275.500
2º tri 20275.800
3º tri 20276.100

O DBS simulou carteiras divididas igualmente entre ações globais e títulos de renda fixa com grau de investimento, de dezembro de 1998 a junho de 2026, com rebalanceamento anual. O ouro entrou em fatias de 0% a 15%, retiradas em partes iguais das duas classes.

Na carteira sem ouro, a maior queda acumulada no período foi de 29,5%. Com 10% no metal, a perda máxima recua para 25,4%, e com 15% cai para 23,4%. Todas as versões com ouro também tiveram retorno ajustado ao risco superior ao da carteira original, segundo o banco.

Parte da explicação está na baixa correlação do ouro com outros ativos. Em dados mensais de 1976 a 2026, a correlação do metal com ações globais foi de 0,11, e com títulos de grau de investimento, de 0,41.

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“Para carteiras equilibradas, uma alocação estratégica na faixa de 5% a 10% é um bom ponto de partida“, recomenda o DBS, acrescentando que esse peso traz benefícios de diversificação sem alterar de forma relevante a composição da carteira.

As projeções dependem de um índice do dólar (DXY) entre 98,6 e 101 nos próximos quatro trimestres, de juros do Treasury de 10 anos entre 4,5% e 4,65% e de compras trimestrais de 175 toneladas por bancos centrais e de 600 toneladas por investidores.