O número que explica como a Coreia do Norte tem um exército para “preocupar” os EUA

Analistas estimam que os gastos do país com defesa cheguem a US$ 10 bilhões por ano

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SÃO PAULO – A crescente tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos é motivo de preocupação global uma vez que pode levar a um conflito com potencial nuclear.

Isolado da comunidade internacional e com apoio limitado da China, o regime comunista de Pyongyang tem surpreendido analistas com o avanço de seu poderio bélico, evidenciado nos testes militares cada vez mais frequentes.

Nesta semana, o país realizou o maior exercício com fogo real de sua história (veja as imagens no vídeo abaixo) e, neste mês, a TV estatal KCTV exibiu uma simulação de mísseis lançados pelo país cruzando o oceano Pacífico e atingindo o território dos EUA. (veja o vídeo clicando aqui).

Segundo o site especializado Global Fire Power, entre 127 países, a Coreia do Norte ocupa a 22ª posição no ranking de maiores potências militares, à frente de nações como Canadá (25º) e Espanha (27º). O Brasil ocupa a 17ª colocação. A título de comparação, a população norte-coreana é de 25 milhões de pessoas, cerca de oito vezes menor que a brasileira.

Um indicador isolado é capaz de explicar como um país que enfrenta recorrentes apagões de energia e onde parte da população passa fome é capaz de ocupar posição de destaque neste quesito: os investimentos norte-coreanos em defesa consomem 22% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. O dado é do pesquisador para Ásia da Anistia Internacinoal Arnold Fang. Nos Estados Unidos, maior potência bélica do mundo, o porcentual é seis vezes menor, de 3,6%.

Em entrevista ao portal australiano news.com.au, Fang destaca um dos fatores por trás da força do exército da Coreia do Norte, que celebrou 85 anos nesta semana. Segundo ele, o governo obriga a população a prestar serviço militar por muito tempo. “Este período pode chegar facilmente a sete anos ou, em alguns casos, há relatos de pessoas passando dez anos no exército”, revela.

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Analistas estimam que os gastos do país asiático com defesa cheguem a US$ 10 bilhões por ano. O número é 64 vezes menor que os US$ 639 bilhões previstos no Orçamento dos Estados Unidos para 2017. O montante garante aos norte-americanos a posição isolada de principal potência militar do globo, com potencial bélico infinitamente superior ao dos norte-coreanos.

No entanto, não é a capacidade de enfrentamento em um eventual combate que preocupa o Ocidente. A retórica beligerante do líder Kim Jong-un e a escalada da capacidade nuclear do regime de Pyongyang é o principal foco de preocupação da comunidade internacional. O fator que mobilizar Donald Trump e aliados norte-americanos na Ásia, como a Coreia do Sul e o Japão, é a possibilidade de um ataque, possivelmente pontual e isolado, mas com grande potencial de destruição.

Imagens veiculadas pela TV estatal KCTV nesta terça-feira (25)