O medo do “Brexit” existe no mercado e pode causar uma queda de 24% nas ações

"Há uma suposição de que Brexit não vai acontecer - se acontecer, ninguém está totalmente preparado para isso ainda", afirma o pesquisador Philip Jacob
(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O referendo que irá decidir sobre a saída do Reino Unido na União Europeia, conhecido como “Brexit”, está cada vez mais próximo e apesar das pesquisas mudarem constantemente sobre o qual será o resultado, o medo dos mercados está aumentando cada vez mais. Um recente estudo de estresse divulgado pela Bloomberg mostra que o efeito imediato do referendo poderia ser uma perda de um quarto do valor dos ativos europeus.

Uma análise feita pela empresa Axioma concluiu que as ações seriam a classe de ativos mais impactada em uma simulação de saída do Reino Unido feita em uma carteira teórica composta de 54% de bonds, 41% em ações e o resto em investimentos alternativos. Neste caso, os investimentos feitos em libra cairiam mais de 10%, um resultado pior que aqueles feitos em euro.

“Há uma suposição de que Brexit não vai acontecer – se acontecer, ninguém está totalmente preparado para isso ainda”, afirma Philip Jacob, um dos pesquisadores que escreveram o relatório, em uma entrevista para a Bloomberg. “Vamos ver o mercado de ações realmente se mover”, conclui.

A volatilidade da moeda britânica atingiu o seu maior patamar desde 2009 com a aproximação do voto popular, marcado para dia 23 de junho. Para a Axioma, as bolsas da Europa podem cair 24% no caso do “Brexit” se confirmar. Porém, a maioria dos analistas aposta em retração na economia do Reino Unido, mas não em uma recessão.

Para simular o impacto potencial do “Brexit”, a Axioma analisou a resposta do mercado a eventos passados, incluindo a crise da dívida europeia e o referendo escocês. Segundo a empresa, o teste de estresse só capta o impacto no mercado no curto prazo, sendo que as alterações não estruturais que uma saída teria sobre a economia no longo prazo não são calculados.

Porém, há quem veja um impacto menor no mercado – mas longe de ser pequeno. Segundo o UBS Wealth Management, uma saída do Reino Unido poderia levar o FTSE 100, principal índice inglês, para uma queda de 10% no acumulado de 12 meses.

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Caroline Simmons, vice-chefe do escritório de investimentos do Reino Unido no UBS, disse que as ações de referência na região podem variar em mais de 15% em um período de um ano. Caso isso, ocorra, segundo ele, os mercados irão registrar uma volatilidade intensa.

Por outro lado, se o Reino Unido decidir permanecer no grupo europeu, o índice poderia ver uma alta de até 5% com os mercados retomando a confiança, principalmente dos empresários. 

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.