Uma pessoa, dois estilos

O economista de banco e o “tuiteiro”: qual a diferença da forma de pensar sobre economia?

Através de sua conta no twitter, Octávio de Barros questionou profissão em meio às "barbaridades" feitas na condução econômica; já em relatório, como era esperado, ele adotou um tom mais ponderado

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São Paulo, 10 de Março de 2014. Reunião COSEC- Palestra com Octavio de Barros ” Tudo seria facil, se não fossem as dificuldades” Cenario macro e as agendas relevantes de 2014-2015 Foto: Everton Amaro
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SÃO PAULO – Enquanto muitos brasileiros estavam de malas prontas para o feriado prolongado na noite da última quarta-feira (3), a maior parte dos economistas estava atenta à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária). O Comitê optou por elevar a Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e manteve o comunicado da última reunião, o que fez com que muitos analistas revisassem as suas estimativas. 

Além disso, alguns economistas não esconderam a irritação com relação ao rumo da política monetária logo após a decisão do BC. Um dos chefes de pesquisa mais respeitados, o economista-chefe do Bradesco Octávio de Barros, deixou bem claro o descontentamento com os rumos da economia depois da decisão de política monetária. 

Através de sua conta no Twitter (‏@BarrosOctavio), ele se mostrou bem descontente com o desfecho da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que decidiu elevar a Selic em mais 0,5 ponto percentual, levando-a para 13,75% ao ano, e deixando em aberto a chance de novas altas nos próximos encontros. “Para que serve a profissão de economista? Fico me perguntando quando assisto a barbaridades como as de hoje. Brasil não merece isso. Lamento”, desabafou Barros em sua conta no microblog. 

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Apesar do seu alto cargo em um dos principais bancos do País, Octávio de Barros mostra-se bem direto em suas postagens no microblog, o que torna sua conta do twitter uma fonte muito interessante de conteúdo para investidores e economistas. Ele chega a usar até mesmo gírias em seus posts.

Porém, poucas horas depois, com um estilo mais formal, o Bradesco divulgou relatório assinado pelo mesmo economista destacando a sua opinião sobre a decisão do BC. 

No relatório, Octávio de Barros destacou que não houve alteração do comunicado emitido após a reunião desta quarta-feira em que disse que, “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,75% a.a., sem viés”.

“A manutenção do comunicado, assim, sugere que o ciclo de ajuste da política monetária pode ser estendido, ao contrário de nossa expectativa inicial. Com isso, devemos esperar a divulgação da ata do encontro, que trará novas informações sobre a trajetória da política monetária, para podermos reavaliar nosso cenário para a taxa de juros”, afirmou.

E, como a reunião ocorrerá apenas no final de julho, o mercado deve ficar de olho nas novas informações corroborando a desaceleração da atividade e a melhora do cenário prospectivo de inflação, que poderão levar o Copom a manter a taxa de juros inalterada. Ou seja, uma visão bem mais sóbria do que a apresentada no Twitter do economista.