Dragão da inflação

“O dragão só cresce”: inflação brasileira será de 9% em 2015, projeta Credit Suisse

A equipe econômica do banco suíço, liderada por Nilson Teixeira, destaca que a dinâmica mais desfavorável para os meses de maio, junho e julho motivaram os economistas a revisarem as projeções, que antes eram de 8,5% para 2015

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SÃO PAULO – Os preços já estão pesando – e muito – no bolso do consumidor, o que mostra que a inflação deste ano vai ser alta. E, de acordo com estimativas do banco Credit Suisse, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve ser de 9% em 2015.

A equipe econômica do banco suíço, liderada por Nilson Teixeira, destaca que a dinâmica mais desfavorável para os meses de maio, junho e julho motivaram os economistas a revisarem as projeções, que antes eram de 8,5% para 2015.

O principal vilão para o aumento da expectativa tem sido a inflação de alimentos. Os economistas destacam que os precos costumam arrefecer nos meses de junho e julho. Porém, em função das condições climáticas desfavoráveis em maio, a tendência de queda de precos de perecíveis comecou a ser revertida no meio do mês. Os preços de carne apresentaram uma aceleração desde abril – nos últimos anos, havia deflação neste segmento, exceto em 2014. 

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Além disso, destaque para um possível reajuste nos preços da gasolina. Os preços do combustível estão mais baixos do que no cenário internacional, afirmam a equipe econômica, e não se pode descartar um novo aumento. Caso haja uma alta de 10% nos preços dos combustíveis em julho, a expectativa para o IPCA superaria 9%. Além disso, os planos de saúde também contribuíram para a revisão para cima da inflação. 

“Tendo em vista a significativa alta do preço do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas, passamos a considerar um reajuste do preço da gasolina de 10% já no terceiro trimestre de 2015. Nosso cenário considerava um reajuste do preço da gasolina de 5% no quarto trimestre de 2015″, afirma a equipe econômica. 

Já para 2016, a expectativa é de que a inflação tenha um recuo significativo no primeiro semestre de 2016. “Prevemos que esse recuo será concentrado no primeiro e segundo trimestres de 2016, com a inflação alcançando 7,3% nos primeiros três meses e 6,7% no segundo e recuando para próximo a 6,5% nos trimestres seguintes”, afirma a equipe econômica.

Fatores que pressionam a inflação
A mediana das expectativas de mercado para a inflação acumulada de maio, junho e julho aumentou de 1,05% no fim de abril para 1,27% no fim de maio, destaca o Credit Suisse. “Assim, prevemos que a inflação IPCA acumulada em 12 meses alcance 8,9% em julho. Essa seria a maior inflação acumulada em 12 meses desde dezembro de 2003″, afirmou.

Os principais fatores que contribuirão para a maior inflação de maio a julho na comparação com os anos anteriores são: i) maior inflação de alimentos; ii) reajuste dos preços de bilhete de loteria; iii) maiores reajuste de medicamentos, iv) aumento do PIS/Cofins sobre produtos importados; v) maiores tarifas de reajuste das tarifas de água e esgoto e vi) maior inflação de energia elétrica.