O ano díficil de Eike: os 10 fatos que marcaram suas empresas em 2013

Em um ano, o empresário perdeu o posto de bilionário e deixou o controle de duas empresas; OGX e OSX entraram em recuperação judicial e petroleira saiu do Ibovespa

Publicidade

SÃO PAULO – O ano de 2013 não foi fácil para Eike Batista. Nos últimos 12 meses, o empresário deixou de ser bilionário, a OGX – que era considerado seu ativo mais precioso – entrou com pedido de recuperação judicial, ele vendeu o controle de duas empresas, se livrou de ativos relevantes em outras duas e agora em dezembro ainda ganhou o posto de pior CEO (Chief Executive Officer) do ano. 

Em meio a tantos acontecimentos, o InfoMoney preparou uma lista dos 10 fatos mais marcantes que envolveram o empresário este ano. Confira abaixo:

1°) OGX e OSX entram com pedido de recuperação judicial

No final de outubro, a endividada OGX Petróleo (OGXP3), agora Óleo e Gás Participações, entrou com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, num passo que já era esperado para tentar evitar a falência. O pedido de recuperação – feito na 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – tornou-se a única alternativa da companhia depois que fracassaram as negociações com detentores de US$ 3,6 bilhões em bônus no exterior para uma reestruturação da dívida. No pedido de recuperação, a petroleira declarou dívida consolidada de R$ 11,2 bilhões. 

Outra empresa do grupo, a OSX Brasil (OSXB3), empresa de estaleiros do grupo EBX, também entrou com pedido de recuperação judicial, na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. De acordo com a decisão do juiz, o pedido foi deferido para as três empresas da OSX que pediram proteção judicial: OSX Brasil, OSX Construção Naval e OSX Serviços Operacionais. O pedido, no entanto, que havia sido deferido por distribuição conjunta com a OGX – alegando posição relevante da OSX na lista de credores da petroleira -, foi suspenso no início de dezembro, por decisão da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A liminar foi concedida em um recurso da espanhola Acciona, uma das principais credoras da OSX, com uma dívida de R$ 300 milhões. Para o desembargador responsável pelo caso, o reflexo da crise econômica da OGX sobre a OSX não seria argumento suficiente para gerar a conexão dos processos. 

2°) OGX sai do Ibovespa

Continua depois da publicidade

Com o pedido de recuperação decretado, os papéis da OGX foram automaticamente excluídos do Ibovespa. O pregão do dia 31 de outubro marcou o último dia das ações no principal índice da BM&FBovespa. No final da sessão, foi realizado um procedimento especial para definir o preço pelo qual a OGX abandonaria o Ibovespa. 

A ação da empresa atingiu naquele pregão sua mínima histórica, a R$ 0,11 no intraday, mas finalizou a sessão a R$ 0,13. Desde o auge, em 15 de outubro de 2010, aos R$ 23,27, a depreciação foi de 99,4%. 

No mesmo dia, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou de C para D os ratings em moeda local e estrangeira da petrolífera. Por meio de nota, a agência disse que o corte refletia o pedido de recuperação judicial, além de representar que a companhia já estava em inadimplência. 

Continua depois da publicidade

3°) OGX a menos de R$ 1

Cerca de quatro meses antes, a ação da OGX Petróleo era cotada pela primeira vez abaixo de R$ 1. Na ocasião, a empresa ainda lutava por um acordo com os credores, enquanto se movia para reestruturar sua dívida. A companhia, que chegou no seu auge a ter valor de mercado de R$ 75,61 bilhões, valia cerca de R$ 3 bilhões naquela data.

O papel atingiu cotação de centavos após a Fitch ter rebaixado o rating da companhia de “B-” para “CCC” – três notas acima do rating atual. O cenário desafiador foi desenhado também pela venda de ações da empresa pelo controlador Eike Batista. Pouco dias antes da ação valer menos de R$ 1,00, ele vendeu R$ 121,8 milhões de papéis da petrolífera.

Continua depois da publicidade

4°) Acusação de “insider trading” 

Em julho, a CVM instaurou processo administrativo para apurar um possível caso de “insider trading” envolvendo Eike Batista. O processo foi aberto após pedido formal do investidor Rafael Ferri, que esteve envolvido no escândalo da Mundial em 2012. Em carta aberta, Ferri acusa Eike de cerca de 20 dias antes de a OGX divulgar publicamente para o mercado o fato que de muitos poços não eram economicamente viáveis e a cotação da respectiva ação despencar, o empresário discretamente vendeu 126 milhões ações da empresa. 

A carta citava duas vendas de ações realizadas por Eike. Na primeira, o controlador da OGX vendeu cerca de 70,4 milhões de ações da empresa no último dia de maio. Posteriormente, em junho, o empresário teria voltado a reduzir sua participação na companhia para 57,18%, que antes era de 58,92%.

Continua depois da publicidade

Além desse, uma série de inquéritos foram abertos para apurar operações do empresário e suas empresas nos últimos meses. Na mais recente, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro abriu inquérito civil público para investigar se houve irregularidades por parte da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e da CVM na fiscalização das atividades da OGX. 

5°) Eike diz que vendidos ficariam de “calças curtas”

Em março, Eike em mais um ato de tentar defender o papel de suas empresas contra a forte pressão vendedora que se instalava, em meio a projeções não cumpridas da empresa, disse, por meio de sua conta no Twitter, que os investidores que estavam apostando na perda de valor de suas empresas ficariam  de “calças curtas” e que “rumores e boatos são as armas dos que estão vendidos”. 

Na ocasião, o empresário respondeu diversos comentários de internautas e recebeu manifestações favoráveis a ele, mas também foi questionado por diversos acionistas preocupados com a saúde financeira do grupo.

Daquele mês até agora, as ações da OGX – as mais penalizadas na bolsa – acumulam perdas de 92%. Em setembro, o aluguel de OGX atingiu o patamar mais alto de sua história, de 694,2 milhões de papéis, o que representava na ocasião 40,7% do free float (ações em circulação no mercado) da empresa. A taxa para “tomar” o papel também disparou, indo para 98,01% ao ano. 

6°) Vende de controle da LLX e Eneva/ venda de ativos da MMX e CCX 

Somente este ano, Eike Batista perdeu o controle da LLX (LLXL3) e Eneva, ex-MPX Energia (ENEV3) e vendeu ativos relevantes na MMX Mineração (MMXM3) e CCX Carvão (CCXC3).A primeira a ser vendida foi a Eneva. Em 29 de maio, o empresário conclui a operação de venda da empresa de energia elétrica para a alemã E.ON. Numa transação que representou a primeira etapa do acordo firmado em março, a E.ON pagou R$ 1,415 bilhão e passou a deter 36,2% do capital social da empresa. Na segunda etapa do acordo, em setembro, Eike teve sua participação reduzida de 29% para 23,9%, após aumento de capital de R$ 800 milhões da companhia, por meio da emissão de 124 milhões de ações ordinárias. A alemã E.ON passou a deter fatia de 37,9% do capital social.

O segundo movimento veio com a LLX Logística, que em setembro foi passado das mãos de Eike para o grupo norte-americano EIG. A negociação foi iniciada em agosto e concluída um mês e meio depois. O grupo EIG assumiu o controle da empresa por meio da participação em operação de aumento de capital privado, no valor de R$ 1,3 bilhão. Com a transação, a participação de Eike caiu de 53,5% para 20,9%, enquanto a EIG passou a ter fatia 52,82% no capital social da empresa.  

Além disso, a mineradora MMX anunciou a venda de 65% do Porto Sudeste, em Itaguaí, para a trading holandesa Trafigura e para o fundo Mubadala, de Abu Dhabi. Os dois controladores devem investir US$ 400 milhões na empresa, que passará a se chamar PortCo. A MMX permanecerá com uma participação de 35%. Agora, o mercado especula que Eike busca atrair novos sócios para o que restou da empresa. Estaria em jogo o destino da subsidiária MMX Sudeste, dona de jazidas de minério de ferro em Minas Gerais, apurou a Folha de S. Paulo.

E, por fim, a CCX Carvão firmou, no final de outubro, um memorando de entendimento para a venda das minas Cañaverales e Papayal por US$ 50 milhões para a Yildirim Holding. A companhia também firmou memorando para a venda da mina subterrânea de San Juan, junto com o projeto de infraestrutura logística, por US$ 400 milhões. 

7°) A saída das letras “X”  

Em meio a derrocata de Eike, duas empresas alteraram seus nomes para se livrarem da “maldição” da letra X, que era marca comum de todas as companhias de Eike listadas na bolsa para simbolizar a multiplicação de riqueza. Com a queda do empresário, a mudança foi inevitável.

A primeira a alterar a denominação social foi a MPX, que após sair das mãos do empresário passou a se chamar Eneva. A próxima a seguir os passos foi a OGX Petróleo, que agora é Óleo e Gás Participações, conforme aprovaram os acionistas em reunião realizada dia 6 de dezembro. A OSX seria a terceira a ter o nome alterado, mas os acionistas não chegaram a um acordo e a empresa desistiu da mudança. 

8°) André Esteves – ponto de esperança que não virou

Em março deste ano, Eike Batista e André Esteves anunciaram parceria para o que chamaram de “cooperação estratégica de negócios”, e que foi visto pelo mercado na época como um ponto de esperança para a retomada das empresas do Grupo EBX – o que não se concretizou.

Com a piora das companhias nos meses seguintes, o acordo estremeceu. Eike teria confidenciado a interlocutores seu receio de que a equipe do BTG estivesse mais interessada em prospectar negócios para seus fundos do que empenhada em encontrar as melhores oportunidades para o Grupo EBX. Esteves, por sua vez, se sentiu frustrado com a lentidão inicial de Eike para se desfazer das empresas. Até agora, no entanto, nenhuma decisão foi tomada a esse respeito. 

9°) Eike é motivo de piada na Bloomberg Businessweek

O empresário virou motivo de piada na edição da primeira semana de outubro da revista norte-americana Bloomberg Businessweek. O ex-bilionário foi tema de reportagem que esmiuçava a ascensão e queda daquele que foi um dia o homem mais rico do Brasil. “No que foi um dos maiores colapsos financeiros e pessoais da história – se não o maior – Eike pode chegar a falência”, afirmava a reportagem.

Cruel, o texto brincava com a atual situação do empresário: “Dizem que o papa Francisco planeja voltar ao Brasil em breve e visitar os pobres de novo – incluindo, dessa vez, Eike Batista”. Naquela ocasião, o ranking da Bloomberg apontava que a fortuna do empresário estava em US$ 73,78 milhões, contra US$ 34,5 bilhões em março, quando estava na sétima posição da lista. 

10°) “Prêmio” de Eike de final de ano: Pior CEO de 2013

Na véspera, Eike foi eleito o pior presidente-executivo de 2013 em lista elaborada pelo professor de Estratégia e Liderança da Tuck School of Business da Dartmouth, Sydney Finkelstein. A analista baseava-se nos critérios financeiros das empresas, como preços de ações e valor de mercado, além da responsabilidade do executivo pelo que aconteceu com a companhia.

Já o site da revista norte-americana Forbes citou o empresário Eike Batista estava na lista de “grandes desastres em carreiras” ocorridos este ano, citando o fato dele ter deixado de ser bilionário este ano e a OGX ter entrado com pedido de recuperação judicial no fim de outubro. O brasileiro ocupava, na revista, a sétima posição entre dez.