A fogueira de Levy

O ajuste de Levy nas mãos de São João

O governo precisa votar hoje a "reoneração" da contribuição para a Previdência. Mas as festas juninos esvaziaram o Congresso.

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De Brasília – Hoje e amanhã a Câmara dos Deputados fará uma nova tentativa de encerrar a última etapa do ajuste fiscal apresentado pelo ministro Joaquim Levy. Trata-se da corretamente chamada reoneração, o aumento de alíquotas da Previdência sobre a das empresas. O governo precisa aprovar este ponto, ainda em junho, para poder começar a valer a partir de outubro. Se não for agora – ainda falta o Senado – pode ir para as calendas e não surtir o efeito almejado.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha também quer votar. Afinal, resta ainda a segunda votação da sua reforma política e, o que ele quer mais, retomar a sua agenda, certamente colocando mais algumas armadilhas no caminho do governo, antes do recesso de julho.

No entanto, estranhamente, tudo depende de São João. Em tempo de festas no Nordeste, Cunha liberou deputados de nove estados para irem dançar forró. Não terão seus pontos cortados caso não compareçam para votar. Lideranças do governo querem antes avaliar o quórum. Quórum baixo, novo adiamento.

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Mais do que estranho, espantoso mesmo são os argumentos dos articuladores políticos do governo no esforço pela aprovação da matéria. Economia? Credibilidade junto ao mercado? O País precisa? Nada disso.

Michel Temer, vice-presidente da República e articulador político, procurou os deputados novatos (1º mandato) que haviam se rebelado por não terem garantias de pagamento de suas emendas parlamentares. Vai almoçar com a turma para “incentivá-los a votar”.

Já o ministro Eliseu Padilha, principal auxiliar de Temer na tarefa de articulador político, foi um pouquinho mais explícito nos seus argumentos: “O segundo escalão está praticamente definido. Nós estamos trabalhando no terceiro, que são os cargos nos estados. Nos estados tem disputa. Nós temos menos cargos do que pretensões. Então, nós temos que ter, em determinado momento, critérios para uma arbitragem” — argumentou.

Franklin Mendonça é jornalista