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O Ibovespa fez história mais uma vez nesta quarta-feira (21). O índice da Bolsa brasileira disparou 3,3% e atingiu um novo recorde ao ultrapassar os 171 mil pontos pela primeira vez. Apenas nesta sessão, foram superadas pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos.
O índice fechou em 171.816,67 pontos, novo recorde de fechamento, perto do topo da sessão, em 171.969,01 pontos, nova máxima intradia, em um movimento que combinou fatores externos, fluxo estrangeiro e alta concentrada em ações de grande peso na carteira teórica.
A alta veio na esteira de um dia muito positivo para ativos locais. O dólar comercial caiu para R$ 5,32, enquanto os juros futuros recuaram ao longo da curva.
Viva do lucro de grandes empresas
Mas o que motivou o novo recorde? Na resposta, as razões conhecidas, e fatos que se desenrolaram ao longo do dia. Veja quais:
“Sell America”
Parte do movimento veio do exterior. O dia começou com o mundo reforçando a ideia de “venda a América” diante do receio de escalada na tensão entre os Estados Unidos e a Europa. Segundo Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, isso elevou o prêmio de risco dos ativos americanos e levou investidores a reduzir exposição aos EUA. O reflexo foi a queda do índice DXY e a busca por alternativas fora do mercado americano.
Nesse contexto, o Brasil se beneficiou. Analistas do JPMorgan reforçaram nesta terça que o país está bem posicionado no movimento global de realocação para mercados emergentes, em um cenário de diversificação dos portfólios internacionais e retomada dos fluxos para a classe de ativos. Com isso, projetam um ano de entrada relevante de capital estrangeiro para a Bolsa: até aqui em janeiro, já são mais de R$ 7,3 bilhões de fluxos líquidos de estrangeiros no mercado à vista.
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Trump alivia, e apetite ao risco aumenta
Quando o Ibovespa já subia, Donald Trump fez tudo melhorar. Declarações do presidente americano durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, amenizaram os ânimos nos mercados globais. Ao falar em negociações pela Groenlândia sem uso de força militar, Trump reduziu tensões, o que favoreceu ativos de risco e empurrou Wall Street para o verde após ter desabado na véspera.
Mais tarde, Donald Trump, afirmou ter chegado a um entendimento “preliminar” com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, sobre um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e “toda a região do Ártico”.
Com isso, o presidente anunciou que não irá impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro contra aliados europeus que resistiam ao plano americano para a Groenlândia.
No mercado local, esse movimento se traduziu em entrada ainda maior de capital estrangeiro. “Por aqui, dólar e juros futuros recuam com movimento de investidores fugindo dos ativos americanos e beneficiados pelo carry trade no Brasil”, afirmou Riauba.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destacou que o ambiente externo mais favorável ao risco também ajudou. “O dólar opera em queda no mercado doméstico, refletindo mais um dia de recuo do DXY”, disse. Segundo ele, a acomodação dos juros globais reduziu a pressão sobre os Treasuries e diminuiu o apelo da moeda americana.
Pesquisa AtlasIntel
Além do cenário externo, o mercado local também assimilou o noticiário político. Shahini afirmou que os investidores passaram a incorporar “pesquisa eleitoral indicando avanço da oposição”, o que influenciou o comportamento dos ativos.
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Em nova rodada da pesquisa AtlasIntel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu novamente liderando todos os cenários, mas com uma vantagem menor sobre Flávio Bolsonaro, que volta a mostrar competitividade após sondagem da Quaest mostrar retrato similar.
Blue chips disparam
O recorde do Ibovespa foi reforçado pela alta de ações de peso. Vale (VALE3) subiu cerca de 3%, Petrobras avançou quase 4% e os grandes bancos tiveram ganhos de até 2%, ampliando o impacto no índice.
Levantamento da Elos Ayta mostra que o avanço do Ibovespa em janeiro de 2026 é puxado por um grupo concentrado de ações, como Cogna (COGN3), que navega elevação de recomendação do BTG; TIM (TIMS3), Bradespar (BRAP4), Embraer (EMBJ3) e Vale. Três dessas empresas, Bradespar, Vale e Embraer, atingiram máximas históricas recentes.
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“A análise setorial revela uma presença relevante de empresas ligadas a commodities e infraestrutura, com destaque para minerais metálicos, exploração e refino de petróleo, siderurgia e bancos, que juntos concentram parte significativa das ações líderes de rentabilidade no ano”, ressalta o estudo.