Novo efeito Ceará? Ibovespa sobe 2% após Ibope no estado e flerta com máxima do ano

Pesquisa eleitoral volta a agitar o mercado após início morno do índice, com levantamento indicando queda nas intenções de voto de Dilma no estado de 58% para 55%; Vale e siderúrgicas também registram ganhos

Publicidade

SÃO PAULO – Após um início “morno”, o Ibovespa passou a subir forte no início da tarde e amplia ainda mais os seus ganhos. Às 15h48 (horário de Brasília), o índice registra ganhos de 2,11%, na esteira de novas pesquisas eleitorais, a 54.428 pontos, flertando assim com a máxima do ano, de 54.459 pontos, obtida em 14 de maio. Caso ultrapasse, a pontuação do índice atingirá o maior patamar desde 5 de novembro de 2013. Os ativos da Petrobras (PETR4) sobem 2,38% após cair mais de 1% no início da sessão, enquanto os ativos da Eletrobras (ELET3;ELET6) sobem mais de 2%

No final da manhã desta data, foi revelada a pesquisa Ibope no Ceará, que mostrou que Dilma Rousseff, apesar de ser a preferida no estado, registrou queda nas intenções de voto de 58% para 55%; na última pesquisa, de maio, Dilma passou de 66% da preferência do eleitorado para 58%. O segundo mais próximo, Aécio Neves (PSDB) somou 8% da preferência do eleitorado seguido de Eduardo Campos (PSB) com 6%, na nova pesquisa. A pesquisa eleitoral foi feita com 1.008 eleitores entre os dias 1 e 4 de junho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. 

Conforme ressalta a XP Investimentos, apesar da ampla vantagem de Dilma, a queda da atual presidente na pesquisa é um fator catalisador para o mercado acionário, ainda mais se tratando de uma nova queda das intenções de voto em um tradicional reduto eleitoral do PT. Vale ressaltar que, na última sexta-feira, o índice subiu mais de 3%, com as ações da Petrobras subindo mais de 8%, na esteira do Datafolha. E mais pesquisas estão programadas para serem divulgadas ainda esta semana: nesta semana.

Em um dia sem grandes referências nos EUA, o mercado repercute ainda os números da China e do Focus. Na China, o superávit comercial da China mostrou grande avanço em maio, tendo como principal fator um aumento de 7% nas exportações do gigante asiático no período. Além disso, o banco central do país informou que cortará a taxa de compulsório em 0,5 ponto percentual para alguns bancos, uma medida que visa liberar mais dinheiro para empréstimos para fortalecer um crescimento econômico abatido. Em meio ao noticiário, as ações da Vale (VALE3;VALE5) registram alta de cerca de 1,2%. Siderúrgicas, como CSN (CSNA3, R$ 9,38, +1,95%), Gerdau (GGBR4, R$ 13,90, +1,39%) e Usiminas (USIM5, R$ 8,30, +1,97%) também registram ganhos. 

Já no Brasil, as previsões de economistas ouvidos pelo Focus apontou que o PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer 1,44%, ante estimativa anterior de 1,50%. Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em 2014, os economistas mantiveram a expectativa em 6,47% e continuou abaixo do teto da meta, enquanto para o próximo ano a projeção aumentou levemente para 6,03%, ante 6,01% da semana anterior. Já a expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, se manteve em 11,00% para 2014 e em 12% para 2015. 

Vale lembrar que os mercados de renda variável registraram uma disparada na sexta-feira após os números da pesquisa Datafolha, que apontou queda da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas e um estreitamento das intenções de voto no segundo turno em relação a Aécio Neves. 

Continua depois da publicidade

No cenário corporativo, o grande destaque fica para a JBS (JBSS3), que comunicou ao mercado que sua controlada nos Estados Unidos, a Pilgrim’s Pride, retirou a proposta para adquirir a Hillshire, após a nova investida que a Tyson Foods fez pela companhia. 

“A decisão da Pilgrim’s de retirar a proposta segue o anúncio de hoje da Tyson Foods sobre a Hillshire”, explica a JBS em comunicado enviado ao mercado minutos antes da abertura do pregão. Após confirmar a desistência do acordo, as ações JBSS3 registram os maiores ganhos do índice, com alta de 6,18%, a R$ 7,90. 

Já as ações da Eletropaulo (ELPL4) sobem 6,93%, a R$ 9,72. O volume financeiro movimentado até o momento já supera em quase 60% a média diária, com as compras sendo lideradas por Credit Suisse, JPMorgan e Merrill Lynch – sinalizando uma entrada de investidores estrangeiros no papel.

Continua depois da publicidade

O motivo para a alta das ações pode estar associado à expectativa de queda no preço de energia no mercado à vista, explica o analista da XP Investimentos, William Alves. Na última semana, o valor da energia já havia recuado de seu máximo em R$ 822 MWh para R$ 577,39 MWh, preço que caiu ainda mais para esta semana, atingindo R$ 318,60 MWh. No atual cenário de seca e pouca chuva, as companhias distribuidoras como a Eletropaulo, precisa buscar energia “extra” para suprir o que não possuem, e o preço dessa energia acaba pressionando bastante o caixa dessas empresas. Nenhuma ação registra queda neste horário. 


As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, são:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 9,72 +6,93
 JBSS3 JBS ON 7,90 +6,18
 MMXM3 MMX MINER ON 2,49 +4,18
 MRFG3 MARFRIG ON 5,99 +4,17
 GOLL4 GOL PN ES N2 13,02 +4,08

EUA: falas de líderes do Fed chamam a atenção

Continua depois da publicidade

Mesmo sem indicadores no país, a fala de dois líderes do Federal Reserve chamam a atenção do mercado. Enquanto o  presidente da distrital de Dallas do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Richard Fisher, disse em entrevista ao jornal japonês Nikkei que irá propor o fim do programa de alívio quantitativo em outubro, James Bullard, de Saint Louis, destacou que a inflação no país está agora numa trajetória crescente. 

Bullard apresenta uma visão bastante significativa de sua visão. Há apenas um mês, Bullard disse que a inflação estava estável e que a tendência de uma alta de preços seria apenas uma previsão. Porém, vale ressaltar, Bullard não será um membro votante este ano no Fed. 

Autor avatar
Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.