Novo CEO da Berkshire, Greg Abel promete manter legado de Buffett em 1ª carta anual

Executivo reafirma foco em disciplina de capital, “balanço à prova de crises” e carteira concentrada em ações dos EUA, e diz que vê o comando da empresa como compromisso de décadas

Gabriel Garcia

O vice-presidente da Berkshire, Greg Abel, na reunião anual de acionistas da companhia de 2025. (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)
O vice-presidente da Berkshire, Greg Abel, na reunião anual de acionistas da companhia de 2025. (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)

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Greg Abel usou sua primeira carta anual aos acionistas como CEO da Berkshire Hathaway para reforçar que a transição de liderança não deve mudar a essência da empresa construída por Warren Buffett.

No texto que abre o relatório anual divulgado neste sábado (28), ele destacou que pretende preservar a cultura de conservadorismo financeiro e disciplina de investimento “em perpetuidade”. Buffett deixou o cargo de presidente-executivo no início de 2026, aos 95 anos, mas segue como chairman.

Abel, de 63 anos, afirmou que a Berkshire continuará operando com um “balanço em formato de fortaleza”, usando dívida de forma “parca e prudente” e mantendo elevada liquidez para atravessar períodos adversos e aproveitar oportunidades.

Ele também reforçou pilares históricos do conglomerado, como a gestão descentralizada das subsidiárias e a preocupação com reputação e integridade.

A empresa encerrou 2025 com uma posição de caixa de US$ 373,3 bilhões, que Abel descreveu como “pólvora seca” estratégica, e rejeitou a ideia de que esse volume signifique fuga de risco.

Na carta, o novo CEO deixou claro que pretende manter a política de não pagar dividendos enquanto acreditar que cada dólar reinvestido tem potencial de gerar mais de um dólar em valor de mercado para o acionista.

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Segundo ele, o conselho revisa anualmente essa diretriz, mas a preferência segue sendo o reinvestimento interno, seja em novos negócios, recompras de ações ou ampliação de posições estratégicas.

Abel também tirou uma dúvida importante do mercado: ele próprio vai supervisionar diretamente a carteira de ações da Berkshire.

O executivo disse que o grupo continuará aplicando o mesmo filtro de valor tanto para aquisições de empresas inteiras quanto para compra de participações em companhias listadas ou recompras de ações próprias.

A carteira seguirá concentrada em um grupo restrito de ações americanas, como Apple, American Express, Coca-Cola e Moody’s, com baixa rotatividade, embora posições possam ser “significativamente ajustadas” se as perspectivas de longo prazo mudarem.

Na carta, Abel disse encarar o comando da Berkshire como um compromisso de longo prazo e brincou que não será CEO pelos próximos 60 anos, mas disse esperar que, daqui a duas décadas, os atuais acionistas — ou seus herdeiros — olhem para trás e vejam uma empresa ainda mais forte do que a deixada por Buffett.