Publicidade
SÃO PAULO – Nesta semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).
O evento foi recebido, de maneira geral, com bons olhos por diversos economistas.
Revisão compatível
Na visão da equipe de analistas do Credit Suisse, a revisão para cima da série de crescimento do PIB e para baixo nos investimentos é compatível com a dinâmica mais favorável do que se avaliava até então da produtividade total dos fatores.
“Essa hipótese é coerente com o levantamento de maiores gastos em máquinas e equipamentos, mas só poderá ser testada a partir do dia 28 de março, quando serão divulgadas as séries trimestrais”, dizem os analistas da instituição.
Nova metodologia busca atender os padrões internacionais
Segundo o próprio IBGE, as modificações introduzidas são decorrentes do aperfeiçoamento do projeto de implantação do SCT (Sistemas de Contas Nacionais Trimestrais), que, além da divulgação dos indicadores de volume do PIB e dos componentes da oferta, passou a divulgar indicadores de volume pelo lado da demanda, valores correntes trimestrais, contas econômicas integradas trimestrais e conta financeira trimestral.
O Sistema de Contas Nacionais (SCN) passou a ser calculado pelo IBGE de acordo com as recomendações da Organização das Nações Unidas (ONU), expressas no Manual de Contas Nacionais ( System of National Accounts ) de 1993, realizado sob a responsabilidade conjunta da entidade com o Banco Mundial, a Comissão das Comunidades Européias (Eurosat), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
“O IBGE, seguindo orientação de organismos internacionais como a ONU, FMI e Banco Mundial, atualiza periodicamente a metodologia e a base de cálculo das Contas Nacionais. A atual mudança incorpora no cálculo do PIB novas atividades e redimensiona o peso dos diversos componentes da fórmula de cálculo do PIB”, diz Alcides Leite, professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios.
Continua depois da publicidade
Principais mudanças do novo cálculo do PIB
De fato, no novo cálculo, os pesos das atividades agropecuária e industrial caíram, enquanto o peso das atividades de serviços cresceu. Além disso, o peso das despesas das famílias se expandiu e dos investimentos caiu.
Os analistas do Credit Suisse explicam que a base de informações utilizada pelo IBGE foi ampliada significativamente, o que significou incorporar mais unidades produtivas à amostra. Dentre os dados mais importantes que passaram a ser utilizados estão aqueles da declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) e o das pesquisas anuais do IBGE (como, por exemplo, da Indústria, de Serviços, do Comércio e da Construção Civil).
Continua depois da publicidade
“Tudo isto ocorreu porque a economia é dinâmica. As despesas com telefone celular, internet, lazer, transporte, escola, segurança e outros, hoje pesam muito mais do que há 5 ou 10 anos. O novo cálculo também leva em conta pesquisas de renda, consumo, produção agrícola e outras formas de pesquisas sobre o comportamento da economia brasileira”, completa o analista da Trevisan.
Perspectivas de juros menores no médio prazo
Como principais conseqüências da nova série de crescimento do PIB, o Credit Suisse destaca o crescimento anual um pouco mais elevado (entre 1996 e 2005, a taxa média de crescimento do PIB foi revisada de 2,2% para 2,4%), a melhora expressiva nos indicadores de solvência fiscal e externa e a redução da relação entre superávit primário e PIB.
Continua depois da publicidade
O banco de investimentos manteve suas projeções para a taxa Selic, de 11,25% no fim deste ano e 10,50% ao final de 2008, reconhecendo que a melhora nos indicadores de solvência pode permitir juros menores no médio prazo.