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SÃO PAULO – O avanço de 2,8% da economia norte-americana no terceiro trimestre veio em linha com as projeções do mercado e abaixo da prévia anterior, que mostrara alta de 3,5%. A revisão para baixo reflete os novos números sobre consumo e o maior déficit comercial.
“Nos Estados Unidos, a revisão para baixo do PIB do 3º trimestre já está embutida nos preços e não deve gerar reações negativas”, afirma Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio.
Já, o time de analistas da Gradual Corretora afirma que o dado não é ruim, mas pode trazer mais discussões em torno da precificação da bolsa norte-americana.
“Não é exatamente um resultado ruim uma vez que confirma o fim da recessão técnica (no 2° trimestre os EUA haviam recuado -0,7%), no entanto o mercado deve olhar com certo ceticismo este resultado e jogar mais lenha na fogueira do time que acredita que as bolsas já avançaram demais em 2010”, comentam os analistas.
Nos últimos doze meses terminados em junho, a economia norte-americana havia registrado queda de 3,8% , o pior desempenho em 70 anos. Em dezembro, será apresentada mais uma prévia do PIB referente ao terceiro trimestre.
Fatores
Entre os meses de julho e setembro, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos estimou, em sua segunda prévia, diminuição dos gastos dos consumidores – fator que pode revelar a dependência do país em relação aos estímulos governamentais.
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O indicador, que é responsável por 70% do PIB do país, cresceu 2,9% no período, menos que a projeção e 0,9% abaixo do registrado no trimestre anterior. No total, os gastos dos consumidores adicionaram 2,1 pontos percentuais ao crescimento deste trimestre.
Enquanto isso, o ganho das empresas também cresceu, ainda que modestamente, influenciados pela queda na folha de pagamento dos trabalhadores. Segundo dados divulgados anteriormente, os custos com salários caíram 5,2% no último trimestre, somando a maior queda em 12 meses desde 1948.
Além da conhecida elevação do desemprego, os analistas do BNP Paribas falam que a revisão para baixo do índice também se dá pela diminuição das estimativas dos estoques no país.
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Os dados mostram que o nível de estoques caiu R$ 133,4 bilhões no acumulado anual, mais do que na primeira estimava. A queda foi ainda menor que o recorde de desaceleração de R$160,2 bilhões no segundo trimestre.
Indicadores
Para os analistas do Wells Fargo, outros indicadores já evidenciavam uma trajetória de recuperação incerta para a economia norte-americana: “O Leading economic index mostra sinais modestos de que o crescimento continuará no próximo ano, mas este caminho será de médias de crescimento baixas, sem descartar quedas possíveis”, falam.
De olho
Ao mesmo tempo em que o mercado acompanha pari passu cada indicador nos EUA, ele não deixa de lado o questionamento à respeito da retirada dos estímulos econômicos e monetários das principais economias do globo.
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Apesar de as autoridades terem sinalizado que os estímulos devem permanecer por mais tempo para assegurar a completa recuperação, existem sérios problemas de ordem fiscal, como o que diz respeito à crescente acumulação de grandes déficits fiscais pelos países.
O mercado teme que a saída destes recursos de circulação provoque uma forte desaceleração da atividade econômica, fazendo com que a melhora vista neste segundo semestre de 2009 não se sustente.