Efeito das sanções contra Rússia

Nova ordem monetária mundial começou e Bitcoin pode se beneficiar, diz estrategista do Credit Suisse

Para Zoltan Pozsar, o dinheiro nunca mais vai ser o mesmo depois da guerra na Ucrânia

Por  CoinDesk -

Zoltan Pozsar, ex-funcionário do Federal Reserve (Fed) e do Departamento do Tesouro americano e atual estrategista da Credit Suisse, afirmou que os Estados Unidos estão em uma crise de commodities que está permitindo a ascensão de uma nova ordem monetária mundial. No fim das contas, avalia, o cenário vai enfraquecer o atual sistema com base no dólar e levar a uma maior inflação no Ocidente.

Pozsar fez um comentário sobre o Bitcoin (BTC), dizendo que espera que a criptomoeda se beneficie desse novo paradigma – no entanto, ressalta que isso só vai ocorrer “se ela ainda existir”.

“Esta crise é diferente de tudo que vimos desde que o presidente [Richard] Nixon desatrelou o dólar do ouro em 1971”, escreveu Pozsar.

Negociado por 44 países quando a Segunda Guerra Mundial estava acabando, o acordo Bretton Woods (que recebeu o nome do local da conferência, em Bretton Woods, New Hampshire) estabeleceu o ouro como base do dólar americano, com outras moedas atreladas ao dólar.

Essa estrutura começou a ruir nos anos 1960, quando o déficit da balança comercial dos Estados Unidos aumentou muito, e desmoronou em 1971, quando os EUA suspenderam a conexão entre o ouro e o dólar.

Segundo Pozsar, a era inicial Bretton Woods (1944-1971) foi carregada pelo ouro; a era Bretton Woods II (1971-hoje), pelo “dinheiro interno” (basicamente o papel emitido pelo governo americano). Já a era Bretton Woods III vai apostar no “dinheiro externo” (ouro e outras commodities).

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Para o estrategista, o fim do regime monetário atual foi marcado pelo dia em que as nações do G7 se reuniram para tomar as reservas internacionais da Rússia, após a invasão do país à Ucrânia. Segundo ele, uma medida considerada livre de riscos acabou dando uma guinada pelo surgimento de riscos de crédito em meio aos temores de confisco.

A China certamente percebeu o que aconteceu e, para Pozsar, o Banco do Povo da China (PBoC) agora tem duas alternativas para proteger seus interesses: ou vende os títulos do Tesouro para comprar commodities russas ou faz sua própria flexibilização quantitativa — ou seja, imprime moeda para comprar commodities russas. Segundo Pozsar, ambos os cenários implicam rendimentos maiores, porém alta inflação, no Ocidente.

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