“Nova” HRT dispara 120% em 3 dias; Oi sobe 20% só com expectativa e Eletropaulo cai 5%

Dentro do Ibovespa, Petrobras se sustenta acima de R$ 10, enquanto empresas educacionais despencam após fala de ministro

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SÃO PAULO – Apesar de distante da máxima do dia, quando subiu 2,15%, o Ibovespa encerrou mais uma sessão em alta nesta quinta-feira (22) com a decisão do BCE sobre programa de compra de ativos e o Copom (Comitê de Política Monetária), que conforme o esperado elevou a Selic para 12,25%. No destaque, a Petrobras segue no holofote após chegar a disparar mais de 7% nesta sessão. Os papéis, no entanto, amenizaram o movimento e fecharam com ganhos de 4%.

Como maior alta do dia, porém, ficaram as ações da Oi, que dispararam 20% enquanto ocorre a assembleia com acionistas da Portugal Telecom SGPS, que teve início às 13h (horário de Brasília). Seguindo a companhia, destaque também para Marfrig e Cosan, que completam o “time” das ações que fecharam com ganhos de mais de 5% nesta sessão.

Do outro lado, os papéis do setor de educação desabaram na Bolsa após o ministro da Educação, Cid Gomes, ter afirmado ontem que defenderá um sistema de corte mais rigoroso tanto de alunos quanto de faculdades e universidades dispostas a participar do Fies (programa de financiamento estudantil). Fora do Ibovespa, os papéis da HRT chegaram a disparar 53%.

Confira os principais destaques da Bolsa nesta quinta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 9,81, +3,70%; PETR4, R$ 10,25, +4,38%)
Depois de chegarem a subir mais de 7% nesta sessão, as ações da Petrobras amenizaram os ganhos, fechando com ganhos de 4%, mas ainda sustentando os R$ 10 – no caso das preferenciais. O movimento ocorreu juntamente com a divulgação dos estoques de petróleo nos Estados Unidos, que vieram pior do que o esperado, contribuindo para a queda dos preços da commodity no mercado internacional. Neste momento, o petróleo WTI, cotado no Texas, caía 3,24%, a US$ 46,24, enquanto o Brent, negociado em Londres, recuava 1,24%, a US$ 48,41. 

Ainda no radar, a empresa deverá ter perdas contábeis de cerca de R$ 10 bilhões, disse uma fonte do governo ao jornal O Globo. Na lista de casos contabilizados, estarão a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro. Estão ainda as obras de modernização das refinarias Repar (Paraná), Replan (Paulínia, São Paulo) e Henrique Lage (São José dos Campos, São Paulo), além de perdas nas obras do Gasoduto Urucu-Manaus e Cabiúnas (Rio de Janeiro).

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Educação
As ações do setor de educação desabaram hoje, com destaque para Estácio (ESTC3, R$ 16,46, -15,15%), Kroton (KROT3, R$ 12,60, -7,62%), Ser Educação (SEER3, R$ 15,53, -14,44%) e Anima (ANIM3, R$ 23,00, -6,88%). O setor de educação segue no foco dos investidores após anúncio do final do ano passado de mudanças no Fies (programa de financiamento estudantil). Ontem, no entanto, o ministro da Educação, Cid Gomes, afirmou que defenderá um sistema de corte mais rigoroso tanto de alunos quanto de faculdades e universidades dispostas a participar do Fies.  

Além disso, um grupo de grandes companhias de ensino superior ainda negocia com o MEC sobre as novas regras do Fies, enquanto outra entidade que representa empresas de ensino privado entrou com um processo na Justiça contra mudanças no Fies. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) protocolou um mandado de segurança coletivo contra o Ministério.

HRT (HRTP3, R$ 6,29, +41,99%)
As ações da HRT – agora PetroRio – chegaram a subir 53% nesta sessão em meio ao anúncio da aquisição de 80% dos campos de Bijupirá e Salema da Shell, na Bacia de Campos, e do navio FPSO Fluminense, utilizado para a produção de petróleo na área, informado em fato relevante de ontem. Em três pregões, os papéis chegaram a subir 135%. Ontem, o Bank of America Merrill Lynch disse que esse é um bom momento para comprar as ações da companhia, mas manteve recomendação em underperform (desempenho abaixo da média) já que, para os analistas, a estratégia da companhia permanece desafiadora. Em 3 dias, os papéis acumulam ganhos de 120%.

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Eletropaulo (ELPL4, R$ 7,45, -5,70%)
A companhia elétrica registrou mais um dia de forte queda nesta sessão, chegando a perdas de 14,66% na semana, seguindo os acontecimento do apagão ocorrido na segunda-feira. Por outro lado, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) decidiu manter uma liminar do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região e, com isso, manteve suspensa a obrigatoriedade da Eletropaulo de ressarcir imediatamente seus consumidores em R$ 626 milhões. A decisão foi tomada pelo presidente em exercício do Tribunal, a ministra Laurita Vaz, que recusou um recurso apresentado pela Aneel contra a decisão do Tribunal.

Construtoras
Os papéis das construtoras subiram apesar da decisão na véspera do Copom (Comitê de Política Monetária) de elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, para 12,25% a.a.. Entre as as maiores altas do Ibovespa apareceram os papéis da Gafisa (GFSA3, R$ 2,17, +4,33%), Even (EVEN3, R$ 4,85, +3,63%), MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,22, +1,55%). Fora do índice, destaque para a Lopes Brasil (LPSB3, R$ 6,59, +3,78%), Rossi (RSID3, R$ 2,62, +1,16%) e Eztec (EZTC3, R$ 19,58, +4,71%).

A MRV informou ontem que suas vendas contratadas cresceram 20,5% no quarto trimestre, na comparação anual, para R$ 1,5 bilhão, o que corresponde a 9.927 unidades, informou a construtora e incorporadora mineira. No trimestre, as vendas em São Paulo representaram 39% do total, seguidas pelo Rio de Janeiro (13%) e Minas Gerais (12%).

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Vale (VALE3, R$ 21,91, -0,77%; VALE5, R$ 19,35, -0,51%)
Depois de operarem em boa parte do pregão no positivo, as ações da Vale viraram para queda durante a tarde, acompanhadas pelos papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 14,19, -1,25%), holding que detém participação na mineradora. Nesta quinta-feira, o Société Générale iniciou cobertura das ações da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 11,80 para os ADRs (American Depositary Receipts).

Natura (NATU3, R$ 33,42, +4,60%)
As ações da Natura seguiram em disparada pelo segundo dia seguido, ficando entre as maiores altas do Ibovespa. O movimento ocorre em meio a notícias de que as fabricantes de cosméticos querem discutir com o governo federal as implicações do aumento da carga tributária do setor anunciado na segunda-feira.

Gol (GOLL4, R$ 13,51, +4,40%)
As ações da Gol fecharam em alta nesta sessão após o anúncio de ontem da criação de uma “super ação preferencial“, que vai proporcionar aos acionistas direitos patrimoniais 35 vezes superiores aos de suas ações ordinárias. A “super ação” foi anunciada em meio à proposta da companhia de lançar uma nova estrutura de capital e de governança corporativa que tem como objetivo ampliar sua capacidade de capitalização e financiamento. A previsão é que a operação, que ainda deve passar por assembleia de acionistas, seja concluída em 90 dias.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.