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SÃO PAULO – Os diversos mercados agroalimentares no mundo são cada vez mais difusos e complexos, apresentando ao mesmo tempo similaridades e diferenças entre eles. A avaliação foi feita por Marcos Jank, vice-presidente de assuntos corporativos e de desenvolvimento de negócios da BRF Brasil, durante uma palestra em São Paulo. Estudioso do agronegócio, Jank é considerado um dos maiores especialistas brasileiros no comércio agrícola internacional e será uma das atrações do Global Agribusiness Forum.
Segundo ele, os mercados consumidores de alimentos podem, atualmente, ser divididos em quatro principais grupos. No primeiro, estão países como Índia e Indonésia, e nações africanas que têm como prioridade garantir a segurança alimentar de suas populações. “Este grupo, que, aliás, é boa parte do mundo, é marcado por países que têm uma agricultura com menor densidade tecnológica, onde a preocupação ainda é a quantidade de alimentos disponível.”
Já o grupo a seguir, onde se encaixam, por exemplo, China, Rússia e países da América Latina, excluindo Brasil e México, já se preocupa mais com a saúde alimentar, dando maior atenção a questões como sanidade e rastreabilidade, por exemplo. Adiante, no terceiro grupo, estão Brasil, México e nações do leste europeu. “Já mais maduros, estes mercados valorizam produtos com maior valor agregado, diversidade, marcas, entre outros atributos”, disse Jank.
De acordo com o especialista, Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão, compõem o quarto grupo, no qual questões relacionadas ao consumo ético, produtos sustentáveis, diferenciações ligadas a comércio justo, orgânicos têm grande peso para a tomada de decisão do consumidor.
Na avaliação de Jank, o Brasil não pode “comprar” a agenda europeia como sendo a [agenda] global, mas como a Europa Ocidental direciona tendências, é preciso ficar atento às exigências do mercado consumidor europeu. O curioso, pontuou o executivo, é que os produtos mais valorizados pelos mercados mais sofisticados são justamente os que usam menor tecnologia em sua produção, como, por exemplo, orgânicos, artesanais, entre outros. Segundo ele, o Brasil tem potencial para vender para todos os mercados, mas precisa se organizar para isso, considerando em sua estratégia segurança e saúde alimentar, garantia de oferta e acesso ao alimento e sustentabilidade.