Nova agenda da ANS pode beneficiar algumas operadoras de saúde da B3; veja quais

Definição das prioridades regulatórias para os próximos três anos traz debate sobre reajustes extraordinários para carteiras individuais de operadoras

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

Saúde privada (Free Photos-Pixabay)
Saúde privada (Free Photos-Pixabay)

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou na última sexta-feira (17) as diretrizes de sua agenda regulatória para o triênio de 2026-2028. Em relatório feito pela XP Investimentos, o principal destaque está em torno da discussão sobre a revisão técnica, que trata dos reajustes extraordinários para planos de saúde individuais, é um dos tópicos mais importantes da pauta.

De acordo com o analista Gustavo Tiseo, que assinou o relatório, a abertura do debate sobre a revisão técnica é vista como um passo positivo para o mercado. Ele observou que os ganhos mais significativos de uma eventual mudança regulatória tendem a se concentrar nas companhias que possuem uma presença expressiva em contratos individuais antigos, como a Amil e o Unimed, com impactos positivos também para a SulAmérica – da Rede D’Or (RDOR3) – e a Bradsaúde (SAUD3).

O documento da XP também aponta que o ambiente político pode afetar as decisões mais complexas. “Embora esperemos que os debates regulatórios sobre o tema avancem, a probabilidade de aprovação parece limitada em um ciclo de eleições presidenciais”, diz o texto.

Segurança jurídica

No passado, a Justiça anulou reajustes extraordinários que haviam sido concedidos pela ANS. O documento da XP Investimentos cita os pedidos de aumento emergencial feitos pela Unimed Ferj (antiga Unimed Rio) e por operadoras do passado como Unimed Paulistana, Interclínicas e Saúde ABC, foram revertidos e levaram as três últimas empresas à insolvência.

“A discussão atual gira em torno da criação de um marco regulatório mais detalhado e objetivo, o que poderia ajudar a reduzir a insegurança jurídica e limitar o risco de novas contestações judiciais”, afirma o analista, indicando como a regulamentação busca evitar divergências nos tribunais.

Apesar disso, o relatório da XP lembra que o caminho regulatório enfrenta alguns obstáculos operacionais. A agência pode exigir que as empresas contempladas voltem a vender ativamente planos individuais, forçando a entrada em um produto de margens apertadas e de forte intervenção estatal. 

Em paralelo, a tramitação abre espaço para que voltem à pauta assuntos como imposição de teto ao Índice de Sinistralidade (IS) de seguradoras, novas regras para contratos de Pequenas e Médias Empresas (PME), trava na cobrança de coparticipação e normas de comercialização online.

Potencial de recuperação

Segundo o relatório da XP, o efeito financeiro da nova regra será mais forte nas operadoras que ainda concentram muitos clientes em planos antigos. 

Sob esse critério, a Amil encabeça o grupo ao contabilizar 400 mil segurados no formato individual (12% da sua carteira total de clientes), ao passo que as cooperativas Unimed administram 3,7 milhões de vidas na modalidade (19% do total de usuários).

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“A maioria das carteiras antigas de planos individuais apresenta sinistralidade acima de 100%, com a carteira da Amil operando em aproximadamente 130%”, destaca o texto.

Em uma escala menor de impacto, o documento elaborado pela XP Investimentos prevê ganhos marginais de rentabilidade para a SulAmérica, dona de uma carteira individual de 95 mil clientes (3% da base total), e para a Bradsaúde, que atende 97 mil beneficiários no segmento (2% das suas apólices).