Balanço em destaque

NotreDame Intermédica tem prejuízo no 2º tri e decepciona analistas, mas otimismo por fusão com Hapvida continua

Companhia anunciou na noite de terça que seu prejuízo entre abril e junho somou R$ 48 milhões, ante lucro de R$ 223,4 milhões um ano antes

A empresa de saúde Notre Dame Intermédica (GNDI3) teve prejuízo no segundo trimestre, refletindo forte alta das despesas com procedimentos médicos, que haviam sido represados durante os períodos de isolamento para conter a pandemia.

A companhia anunciou na noite de terça-feira que seu prejuízo entre abril e junho somou R$ 48 milhões, ante lucro de R$ 223,4 milhões um ano antes. Em termos ajustados, a companhia passou de lucro de R$ 303,9 milhões para prejuízo de R$ 9,9 milhões.

Embora tenha tido receita líquida 22,7% maior ano a ano, a R$ 3,2 bilhões, a companhia viu a linha contas médicas caixa, seu item mais relevante dos custos de serviços prestados, dar um salto de 56,9%, a R$ 2,64 bilhões, o que aumentou em 18 pontos percentuais a sinistralidade, para 82,7%.

“…há uma tendência cada vez mais presente de retorno gradual dos comportamentos pré-pandemia, que inclui uma pressão pelo retorno de procedimentos médicos de rotina e eletivos que ocorrem simultaneamente aos custos associados aos tratamentos da pandemia do Covid-19, que ainda impõe uma sobrecarga de custo significativa em todo o setor”, explicou a empresa no relatório.

Diante disso, o resultado operacional da Notre Dame medido pelo lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 131,6 milhões, queda de 75%. A margem Ebitda ajustada teve um tombo de 16 pontos percentuais, para 4,1%.

A XP apontou em relatório que o GNDI postou resultados ruins com pressão de sinistralidade mais alta (alta de 18 pontos na base anual e  4 pontos acima das expectativas dos analistas) levando a uma queda do Ebitda a um número 33% abaixo da projeção da XP, que compensou o crescimento robusto da receita devido a um aumento sólido no número de beneficiários de planos de saúde.

“No entanto, vemos esse impacto como transitório (causado principalmente pela Covid, número maior de procedimentos eletivos e a sinistralidade mais alta dos ativos recém adquiridos) e não estrutural e acreditamos que a empresa deve continuar crescendo organicamente e deve ser capaz de reduzir estruturalmente a sinistralidade uma vez que o impacto da Covid e de procedimentos eletivos deve reduzir e a sinistralidade dos ativos recém adquiridos deve convergir para os níveis históricos do GNDI”, apontam Vitor Pini e Matheus Soares, analistas da XP.

Eles também destacaram estarem otimistas com as perspectivas de sinergias com a fusão com a Hapvida (HAPV3). Dessa forma, reiteram recomendação de compra e preço-alvo de R$ 110 por ação (potencial de valorização de 42% em relação ao fechamento de terça-feira).

Quem também segue com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para o ativo é o Credit Suisse, com preço-alvo de R$ 105 (ou upside de 35%).

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Os analistas do banco suíço também destacam que o balanço foi impactado pelos sinistros, ficando ligeiramente pior do que as projeções. Os resultados da empresa refletem principalmente o efeito da segunda onda da Covid. “Este efeito é
transitório, mas acreditamos que o terceiro trimestre também será impactado, ainda que de forma reduzida. Fora isso,
a empresa está apresentando algum crescimento e há potencial para acelerá-lo. Nós acreditamos que a fusão com a Hapvida trará valor adicional para a empresa, mas não no curto prazo”, avaliam.

(com Reuters)

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