Nova aquisição no setor

NotreDame compra Centro Clínico Gaúcho em transação de R$ 1,06 bi; analistas da XP veem movimento positivo

A aquisição marca a entrada da NotreDame no Estado do Rio Grande do Sul, um mercado de 2,5 milhões de beneficiários de saúde

SÃO PAULO – A NotreDame Intermédica (GNDI3) comunicou ao mercado nesta segunda-feira (7) que concluiu a compra em 4 de junho de 100% das ações do Centro Clínico Gaúcho (CCG), em uma transação de “R$ 1,06 bilhão, pago à vista, em dinheiro, descontados o endividamento líquido e uma parcela retida para contingências”.

O Centro Clínico Gaúcho conta com uma rede própria que conta com 175 mil beneficiários, 20 centros clínicos, 13 unidades de análises clínicas e o Hospital Humaniza. No ano passado, o faturamento líquido consolidado foi de R$ 371 milhões.

A aquisição marca a entrada da NotreDame no Estado do Rio Grande do Sul, um mercado de 2,5 milhões de beneficiários de saúde.

De acordo com a Notre Dame, considerando as sinergias, o múltiplo implícito da aquisição seria um valor da firma (EV) sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de 9,8 vezes ou EV/vendas de 2,9 vezes – em comparação com ao valuation atual da GNDI com EV/EBITDA esperado para 2021 de 24,4 vezes e o EV/Vendas esperado para 2021 de 4 vezes, segundo análise da XP.

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A XP aponta ver o movimento como positivo, à medida que o GNDI expande sua presença nacional por um preço atrativo. “Embora os resultados de curto prazo devam permanecer pressionados por uma sinistralidade mais alta, continuamos otimistas sobre as perspectivas de crescimento da empresa com maior consolidação do mercado de forma orgânica e inorgânica. Além disso, a possível fusão com a Hapvida (HAPV3) agrega ainda mais valor a uma história já convincente”, apontam Os analistas reiteram recomendação de compra e preço alvo de R$ 117 por ação.

Revisão do Morgan Stanley

Cabe destacar que, antes da divulgação da aquisição, o Morgan Stanley atualizou os seus modelos para Notre Dame e Hapvida levando em consideração a divulgação dos resultados do primeiro trimestre. Assim, o banco incluiu os termos finais de fusão das empresas, e a perspectiva de um ano mais difícil, já que o setor hospitalar pode enfrentar um impacto da pandemia de Covid-19 pior do que o esperado. Além disso, os preços podem ser pouco atrativos devido ao mix de produtos e reduções de preços para planos individuais, o que pode reduzir o Ebitda no ano fiscal de 2021 para empresas do setor médico.

A normalização de procedimentos eletivos tem aumentado a utilização de serviços médicos, como leitos de UTI e exames laboratoriais, elevando os preços de suprimentos médicos, o que pode levar a redução de 12% no Ebitda da Hapvida e de 29% no do Notre Dame no ano fiscal de 2021, comparado com o ano fiscal anterior.

O banco estima uma geração de R$ 32 bilhões em valor com a fusão de Hapvida e Notre Dame, frente à estimativa anterior de R$ 44 bilhões. O banco reconhece um momento fraco de rendimento, e falta de comunicação clara sobre potenciais sinergias, o que poderia impedir uma reavaliação das empresas no curto prazo. O Ebitda foi reduzido em 17% para a Hapvida, e 39% para o Notre Dame.

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O banco continua a dar preferência ao setor médico em detrimento do odontológico, e mantém recomendação overweight para a Hapvida e Notre Dame, com preço-alvo de R$ 19,70 para a primeira, frente aos R$ 15,78 de fechamento na sexta, e R$ 110,4 para o segundo, frente aos R$ 86,1 de fechamento na sexta.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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