Em mercados

Macri concede benefícios a trabalhadores após derrota nas primárias

Pacote de medidas também inclui congelamento dos preços de combustíveis e aumento do salário mínimo 

Mauricio Macri
(Site Oficial Mauriciomacri.com.ar)

SÃO PAULO — O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou nesta quarta-feira (14) uma série de medidas econômicas, que incluem o pagamento de bônus aos trabalhadores. O anúncio acontece após a derrota de Macri nas eleições primárias do último domingo, nas quais o atual presidente ficou 15 pontos percentuais atrás da chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner (como vice).

Serão pagos bônus de até 2 mil pesos argentinos extras aos trabalhadores entre setembro e outubro deste ano. Os informais e desocupados receberão dois pagamentos extras do benefício que recebem por seus filhos. 

Ainda entre as medidas anunciadas está o pagamento para empregados públicos e das forças armadas de um abono de 5 mil pesos no final do mês. Macri também anunciou que o salário mínimo será elevado, mas não abriu o valor. Será a segunda elevação do mínimo neste ano. 

O presidente também pretende ajudar as pequenas e médias empresas com um novo plano que vai permitir o pagamento das obrigações tributárias dessas companhias em até dez anos. Haverá ainda o congelamento, por 90 dias, dos preços da nafta "e do resto dos combustíveis". 

Além disso, em pronunciamento, Macri também afirmou que estudantes que recebem uma bolsa chamada "Progredir" terão um aumento de 40% do valor recebido em setembro.

Durante sua fala, o atual presidente da Argentina disse que, ao assumir o cargo em 2015, acreditava “que seria mais fácil”. “Peço que os argentinos não ponham em dúvida o trabalho que fizemos juntos”, disse.

A apuração dos votos nas primárias da Argentina no último domingo mostrou apoio de 47% dos eleitores à dupla Alberto Fernández e Cristina Kirchner, enquanto o atual presidente Mauricio Macri ficou com 32% dos votos. 

Cristina governou o país entre 2007 e 2015 e adotou um modelo econômico que praticamente afundou a economia argentina para a crise que ainda se encontra. Seu comando foi marcado pela estatização de empresas e manipulação de dados oficiais, por isso a volta do kirchnerismo preocupa os investidores.

Ainda assim, ao indicar preferência por Cristina nas urnas, a população argentina passa um recado ao presidente Macri de que ele falhou em “salvar o país”. A inflação anualizada na Argentina está acima de 50% e a moeda local despencou em relação ao dólar — nesta semana, a cotação do dólar no país chegou perto de 60 pesos. 

O caos da situação política e econômica se espelha no CDS do nosso vizinho. O CDS é uma espécie de seguro-calote e indica a chance de o país não honrar seus compromissos internacionais — pode ir de zero ao infinito, sendo que quanto mais próximo de zero, menor é a chance de calote do país. 

Na sexta-feira antes das primárias, o CDS de cinco anos da Argentina estava em 1.030 pontos. Na segunda, um dia após o resultado, ultrapassou os 2.500 pontos. Hoje, bateu nos 3.000 mil.

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