Em mercados

Quem disse que o juro de equilíbrio no mundo tem de ser positivo?, questiona ex-diretor do BC

A tendência global é de juros mais baixos de forma estrutural, apontam os gestores Luiz Fernando Figueiredo e Rodrigo Azevedo, ambos ex-diretores do Banco Central

Luiz Fernando Figueiredo e Rodrigo Azevedo na Expert
(Divulgação)

SÃO PAULO – Com anos de experiência na diretoria de política monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo e Rodrigo Azevedo usam os conhecimentos adquiridos durante o período para as estratégias das gestoras que fundaram, a Mauá Capital e a Ibiúna Investimentos, respectivamente. 

Para os gestores, tanto no Brasil quanto nos países desenvolvidos, uma tendência se aponta, ainda que em níveis diferentes: a queda de juros, conforme destacaram ambos os gestores em painel no último fim de semana da Expert XP 2019, um dos maiores eventos de investimentos mais relevantes do mundo. O encontro entre os ex-BCs foi mediado por Luciano Telo, CIO do XP Advisory. 

Figueiredo e Azevedo avaliam que o ambiente global indica um nível historicamente baixo de juros e que isso pode ocorrer mais por questões estruturais do que cíclicas, levando assim a um cenário de taxas em patamares mínimos por muito mais tempo. 

Azevedo destaca o envelhecimento populacional (que leva a um menor consumo), o aumento da tecnologia (que barateia os custos de produção) e a globalização (que aumenta a eficiência das cadeiras produtivas) como fatores que levam a um ambiente de inflação mais baixa e, consequentemente, juros menores. 

"No ano passado, a indicação era de que o Fed (banco central americano) iria subir os juros até três vezes, para 3,5% ao ano, o que seria muita coisa. Mas o mercado reagiu ao ambiente de menor liquidez, com as bolsas caindo e a tendência se intensificando com a ameaça de guerra comercial entre EUA e China", avalia o sócio da Ibiúna. 

Para Figueiredo, ainda haverá um segundo efeito da tecnologia ao longo do tempo, que é tornar os serviços mais baratos, levando a uma tendência mais forte de queda da inflação. Neste cenário de queda de juro de forma estrutural, ele ainda questionou: "Quem disse que o juro de equilíbrio no mundo tem de ser positivo?".

O sócio da Mauá apontou ainda que, dado o ambiente de inflação baixa, o Fed fez o que todo banco central deveria fazer: "curvar-se diante dos fatos".

Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central ainda mostra resistência. Figueiredo teceu críticas à forma de atuação do Comitê de Política Monetária, ao apontar que os integrantes do Copom erram ao indexar a política monetária à reforma da Previdência.

Para o sócio da Mauá, já havia condições para a redução da Selic, a taxa básica de juros da economia, na reunião anterior do Copom, encerrada no último dia 19 de junho. 

Queda de juros = oportunidade

Mesmo com a resistência do Banco Central, a avaliação é de que os juros vão cair entre 100 pontos-base a 150 pontos-base, chegando assim a 5,5% a 5% até o fim do ano, podendo permanecer em patamares baixos por um longo período de tempo. 

A queda da taxa de juros é um dos fatores, em conjunto com a abertura econômica, que pode atrair investimentos para o Brasil, ressalta Azevedo. "Muitos estrangeiros ainda não investem aqui porque não há confiança", disse, destacando que, se o Brasil fizer a lição de casa, uma grande janela de oportunidades se abrirá.  

A lição de casa mais urgente é a aprovação da uma reforma da Previdência, para tornar a trajetória da dívida pública sustentável. Desta forma, aponta Figueiredo, "o jogo muda", levando a um ambiente de juros reais (taxas nominais descontadas a inflação) baixos, o que torna mais negócios viáveis. 

Se os juros mais baixos vieram para ficar, como operar nesse mercado? De acordo com Azevedo, a Ibiúna está posicionada em aplicações de renda fixa com prazos intermediários e longos para capturar essa tendência. A gestora está aplicada na taxa de juros mais longa desde o início do ano, quando já havia percebido uma convergência dos juros locais à pressão de baixa global.

Já Figueiredo ressalta a importância de ter investimentos mais diversificados também quanto se trata das regiões do mundo: "não podemos ficar atrelados a um mercado só". Ele destaca que a Mauá tem posições, além de Brasil, EUA e mercados europeus, em países como Colômbia, México e Chile e, "às vezes",  Argentina. 

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