Em mercados

Campos Neto diz que não há elo mecânico reforma-juros

O presidente do BC disse ainda que está preparando medidas para ampliar e baratear o acesso a crédito, entre elas, aumentar o uso de imóveis como garantia de empréstimos

Roberto Campos Neto
(Leandro Viana)

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que não há relação mecânica entre a aprovação do Congresso da reforma da Previdência e um corte na taxa de juros, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no sábado.

Em nenhum momento, o BC quis passar a informação de que era uma relação mecânica: se tem reforma, tem isso de juros; se não tem reforma, não tem, disse.

Os comentários parecem sugerir um passo parcial atrás das mensagens das últimas atas do BC, sugerindo que a reforma era uma pré-condição para mais flexibilização monetária. Com a reforma fazendo progresso no Congresso, os operadores estimaram em cerca de 80% a chance de um corte de taxa na próxima reunião do banco no final deste mês.

A reforma da Previdência é a principal política econômica do governo, que tem como objetivo economizar cerca de R$ 1 trilhão na próxima década. Analistas e investidores consideram o projeto essencial para estancar o sangramento nas contas públicas. Na ata da reunião do banco central em meados de junho, os membros do conselho citaram a palavra “reformas” não menos que 10 vezes.

Reformas microeconômicas

O BC também está preparando uma série de medidas para baratear e ampliar o acesso ao crédito, disse Campos Neto na entrevista.

Uma das ideias é aumentar o uso de imóveis como garantidor de novos empréstimos, em um esforço para reduzir os custos de financiamento e estimular a economia. O BC quer tirar o governo da jogada, disse ele ao jornal.

Na entrevista, Campos Neto afirmou também que a instituição pode fazer mais para reduzir spreads e aumentar a inclusão nos mercados de crédito. Em particular, ele citou problemas para os brasileiros no uso de home equity e hipotecas reversas para liberar financiamento, linhas que, segundo ele, são comuns em países mais avançados.

Questionado sobre o foco do banco em medidas microeconômicas, Campos Neto disse que era uma questão muito importante. Citou a dificuldade de se fazer negócios no Brasil. Segundo ele, é difícil para uma pequena empresa emitir capital, ter acesso ao mercado de capitais. E se a empresa quiser fazer um investimento de longo prazo, é difícil fazer hedge.

O presidente do banco também disse ao Estado que a autonomia do banco central é uma de suas prioridades, além da redução da burocracia nas operações de câmbio. Serão mudadas 40 regras para simplificação. Também se buscará estimular uma maior concorrência no setor bancário brasileiro.

 

Contato