Em mercados

Guerra comercial pode fazer EUA entrarem em recessão, diz Ben Bernanke

Os EUA deveriam cortar juros neste momento em que a atividade global decepciona? O presidente do Fed de 2006 a 2013 dá suas opiniões sobre política monetária

SÃO PAULO – O ex-presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, disse em painel na Expert 2019 que a questão mais relevante para o mercado global hoje é saber como a economia americana e a chinesa irão coexistir. Para ele, se a guerra comercial entre os dois países piorar muito, os EUA podem entrar em recessão pela primeira vez desde a crise do subprime.

"O sistema financeiro global não tem hoje nada que se pareça com a bolha imobiliária de 2008 ou a bolha das ponto-com de 2000, mas essa tensão geopolítica com a China pode ser muito danosa aos mercados globais", afirma. 

Bernanke disse que a situação delicada em que se encontra o Banco Central Europeu (BCE) – que teve de renovar estímulos monetários por causa da persistência da estagnação econômica no continente – tem a ver com essa disputa de forças. 

"A Europa se afastou da deflação ao promover um relaxamento monetário agressivo em 2015, mas os europeus estão muito expostos ao comércio internacional, que sofreu com a guerra comercial", avalia. 

O ex-presidente do Fed defende que a Europa precisará de uma coordenação maior entre os países da zona do euro para não ter o mesmo problema do Japão, que nem com taxas de juros negativas conseguiu promover um crescimento econômico robusto. 

Trump

Bernanke criticou ainda o presidente dos EUA, Donald Trump, por querer interferir na política de juros do Fed. O ex-chairman ressaltou que isso é algo que não existiu nas gestões do republicano George W. Bush e do democrata Barack Obama. 

Como exemplo, ele lembra que no dia em que o Fed anunciou a segunda rodada de quantitative easing, programa de expansão monetária em que o banco central dos EUA comprou títulos da dívida norte-americana, Obama estava em viagem no Sudeste Aisático e foi pego de surpresa.

"Perguntaram como ele deixou que eu e minha equipe fizessem isso e o presidente só respondeu que o Fed é independente. Quando voltou, não fez nada além de perguntar se eu não poderia ter esperado uma semana", recorda. 

A situação do atual presidente do Fed, Jerome Powell, contudo, é bem diversa. O chairman sofre pressões constantes para cortar juros e estimular a economia norte-americana. 

"Não é legal acordar com um tuíte do presidente dizendo que você é idiota", comenta Bernanke.

Ben Bernanke foi presidente do Fed de 2006 a 2013, estando no olho do furacão durante a crise econômica de 2008, depois da qual o banco central dos EUA foi obrigado a zerar taxas de juros e realizar um socorro bilionário aos grandes bancos do país.

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