Em mercados

8 bancos cortam projeção para o PIB em meio a 1º trimestre fraco e tensão com Previdência

Revisões de projeções começaram ainda na semana passada e se intensificaram após IBC-Br fraco nesta segunda-feira

Brasileiro
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Se o mercado já não estava temeroso o suficiente, nesta segunda-feira (15) o Brasil recebeu mais uma notícia negativa, com o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) registrando um recuo de 0,73% em fevereiro, marcando a segunda queda seguida do indicador considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto).

O dado reforçou uma tendência das instituições financeira que já vinha desde a semana passada: reduzir a projeção do PIB para este ano. Na sexta-feira, Itaú cortou sua expectativa de 2% para 1,3%, enquanto no dia anterior o Banco Safra cortou dos mesmos 2% para 1,5% a sua projeção.

O Bradesco, por sua vez, ainda está um pouco mais otimista, mas também revisou seus números nos últimos dias, esperando um PIB de 1,9% para este ano, contra uma expectativa anterior de 2,4%. No relatório Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda, os analistas reduziram o PIB de 2019 de 1,97% para 1,95%, sendo a sétima queda seguida do indicador.

Nesta segunda-feira outras cinco instituições também revisaram para baixo suas expectativas. Em relatório assinado por Maurício Oreng, o Rabobank passou a projetar alta de 1,5% do PIB este ano, ante 1,8% esperados anteriormente. No primeiro trimestre a expectativa é de um avanço de apenas 0,2%.

"Mais nuvens foram trazidas para o meio ambiente por iniciativas de reforma não sincronizadas dos poderes Executivo e Legislativo, um reajuste cancelado no preço do combustível, o ressurgimento de acusações de corrupção contra políticos proeminentes, outro possível atraso no trânsito da reforma da Previdência", avalia o banco em relatório.

O Barclays cortou sua projeção de 2,2% para 1,7%, enquanto o JP Morgan agora espera um PIB de 1,5% este ano (ante 2,1%). Já o Banco Fator vê uma queda de 0,7% da economia brasileira no primeiro trimestre, enquanto no ano o dado foi revisto de 1,7% para 1,3%. O Banco Fator é o mais pessimista neste momento, vendo uma alta de apenas 1% da economia doméstica, corte contra os 1,7% vistos antes.

"Embora continuemos a esperar que a reforma da Previdência seja aprovada no final deste ano, vemos crescentes riscos de atrasos e diluição maior do que havíamos previstos anteriormente", diz o Barclays.

"Como tal, a esperada aceleração do investimento poderá ser ainda mais recuada, com um efeito positivo no crescimento do emprego e do rendimento tornando-se mais visível apenas no final deste ano e em 2020", afirmam os analistas do banco.

Já o JP Morgan destaca que o "balanço de riscos parece assimétrico em direção a um desfecho mais negativo em relação à expectativa de economia de R$ 700 bilhões [da reforma da Previdência]".

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