Em mercados

Paulo Guedes: “ignorância” e “egoísmo” explicam resistência a mudanças na previdência

Em evento para investidores em Nova York, o ministro disse que é reconhecido na rua como se fosse um jogador de futebol, e isso diz algo sobre o estado de espírito no país

Paulo Guedes
(Leandro Viana)

NOVA YORK - O ministro Paulo Guedes, da Economia, voltou a defender a necessidade de reforma da Previdência durante uma palestra para investidores em Nova York. Ele reforçou especificamente a importância do regime de capitalização.

Com esse sistema, afirmou Guedes, o país “libera as futuras gerações de ficar na mesma armadilha em que estamos”. “Não vejo vantagem alguma em continuar no sistema atual (em que quem trabalha financia a previdência de quem já se aposentou)”, disse. Para ele, “ignorância” e “egoísmo” explicam a resistência a mudanças.

“É claro que existe um custo para fazer a transição para esse sistema. Mas, se fizermos uma reforma da previdência poderosa fiscalmente, (teremos recursos) para fazer a transição. Caso contrário, não faremos. É simples assim”, disse Guedes numa palestra no evento XP Investments Conference Brazil: First 100 Days

Reforma poderosa é a que geraria uma economia de cerca de R$ 1 trilhão, “exatamente o que queremos”, segundo Guedes.

Jogador de futebol

O ministro repetiu algumas vezes que está otimista com as chances de aprovação da reforma da previdência. “O Congresso entende que precisa mudar. Entende que o modelo antigo entrou em colapso”, disse.

“A eleição do novo presidente foi percebida como ameaça à democracia, mas não é isso. Ela representa uma mudança no sistema político e no sistema econômico.”

Na política, acrescentou ele, “há um choque inicial, porque a política velha está morrendo e não se sabe como será a nova”. “Mas sabemos como ela não será”, acrescentou.

Guedes disse ainda que é reconhecido na rua como se fosse um jogador de futebol, e isso diz algo sobre o estado de espírito no país. “Um ministro que está propondo uma reforma da previdência ser celebrado”, declarou, é um sinal de que as pessoas querem mudança.

Durante a palestra, o ministro disse também que o crescimento atual da economia brasileira é “absolutamente ridículo” e que a expansão deve ser maior muito em breve. “Estamos saindo da rehab. Tenho pressa para fazer as mudanças de que o país precisa, mas não para ser reconhecido.”

Menos impostos, mais privatizações

Paulo Guedes reforçou a necessidade de outra reforma, a tributária. Ainda neste ano, segundo ele, haverá a junção de alguns impostos num imposto único. E, nos próximos anos, haverá a criação do tão falado imposto único federal. "PIS, Cofins, CSLL: nomes malucos para a mesma m...", disse ele.

O ministro voltou a declarar que a meta do governo é arrecadar US$ 20 bilhões neste ano com privatizações. “Já fizemos US$ 12 bilhões sem barulho”, afirmou. Na conta, está a venda da participação da Petrobras na TAG, por exemplo.

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