Em mercados

JPMorgan não se preocupa com inversão da curva de juros nos EUA

No passado, a inversão da curva de juros foi indicador confiável de recessões. Desta vez, contudo, o mercado acionário dos EUA continuou avançando

Donald Trump
(Joyce N. Boghosian/Casa Branca )

(Bloomberg) -- Os investidores estão preocupados com a curva de juros errada, na opinião de um estrategista do JPMorgan Chase.

Há quem pense que a recente inversão da curva de juros nos EUA é sinal para vender ações, mas há uma defasagem média de 18 meses entre a inversão e a chegada de uma recessão, escreveu Mislav Matejka em nota enviada a investidores nesta segunda-feira.

O estrategista recomenda atenção ao spread entre os rendimentos dos títulos do Tesouro americano com prazos de 10 e 2 anos – que está a 18 pontos-base de uma inversão – em vez da diferença entre os rendimentos dos papéis de 10 anos e 3 meses, que causou tanto nervosismo nas bolsas.

“Longe de ser pessimista, o atual spread entre os prazos de 10 anos e 2 anos, de 18 pontos-base, é consistente com uma apreciação de 12 por cento do S&P 500 nos próximos 12 meses”, afirmou a nota do JPMorgan. “Tipicamente ocorre uma longa defasagem entre o sinal da inversão e o pico do mercado/recessão de fato.”

No passado, a inversão – ou seja, quando o rendimento no prazo mais curto da curva é maior do que na ponta longa -- foi indicador confiável de recessões. Desta vez, contudo, o mercado acionário dos EUA continuou avançando, na medida que a postura branda do banco central (Federal Reserve) e a expectativa positiva em relação a um acordo comercial com a China convenceram investidores de que o crescimento econômico não recuará tão cedo.

A equipe do JPMorgan prevê que a curva vai parar de se achatar e talvez fique mais acentuada no segundo semestre, em meio a uma freada na atividade global. Embora a inversão na curva de juros historicamente tenha precedido maus momentos nas bolsas, desta vez pode ser diferente porque as condições monetárias continuam favoráveis, argumenta o texto.

“Permanecemos com uma visão construtiva das ações, considerando a virada na China, a postura branda do Fed, o pico potencial do dólar, o distanciamento das incertezas comerciais e as expectativas de inflação provavelmente chegando ao piso”, afirmou o relatório.

©2019 Bloomberg L.P.

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