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Economistas revisando PIB para baixo? Isso tem sido constante no Brasil dos últimos anos

Nos últimos anos, o relatório Focus mostrou revisões constantes para baixo da atividade econômica na comparação entre o início e o fim do ano - e 2019 não deve ser diferente

Brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Em meio aos dados decepcionantes da atividade econômica brasileira, sendo o último deles a produção industrial (que veio bem abaixo do esperado ao cair 0,8% em fevereiro frente janeiro), grandes bancos e assets estão revisando o PIB ( Produto Interno Bruto) para baixo. 

O BNP Paribas, por exemplo, revisou sua projeção de avanço do PIB do País neste ano de 3% para 2%, enquanto o Bank of America Merrill Lynch reduziu novamente sua previsão de alta, de 3% para 2,4%. Há duas semanas, o banco americano já havia revisado sua estimativa, de 3,5% para 3%.

Porém, essas revisões para baixo ao longo do ano não são exatamente uma novidade. Os analistas da Rico Investimentos Thiago Salomão e Matheus Soares fizeram um levantamento comparando as estimativas para o PIB indicado pelo boletim Focus no início, meio e final de ano entre 2014 e 2018. Na última linha do quadro, há o resultado final do PIB daquele ano divulgado pelo IBGE. 

O resultado? "Com a exceção de 2017, as projeções sempre indicam um cenário muito melhor para a nossa economia do que o desfecho final. Em 2019, começamos o ano com um PIB projetado de 2,53%; na última segunda, ele já estava em 2,28%. Mas já há grandes assets falando de PIB perto de 1,8%, 1,5%", destacam os analistas. 

Confira no quadro abaixo:

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Vale destacar que, em meio a tantas revisões, a expectativa é de que 2019 repita a mesma sinalização observada na maioria dos anos, de maior otimismo no início dos exercícios para depois haver uma revisão abaixo pelos economistas. 

Entre os motivos apontados pelo BNP para a desaceleração da atividade em 2019 estão o cenário externo, marcado por desaceleração das principais economias e que é ruim para as exportações brasileiras, com a atividade de grandes parceiros comerciais do País, como Europa, China e Argentina, perdendo fôlego, além da recuperação lenta do mercado de trabalho. 

Já o BofA acredita que a reforma da Previdência deve provocar impacto no crescimento econômico, mas apenas em 2020. Apesar de reduzir a estimativa para 2019, a instituição manteve sua previsão de expansão da economia brasileira no ano que vem em 3%. O crescimento mais fraco que o esperado no trimestre final de 2018 e um começo de 2019 com atividade fraca também foram os fatores que levaram as previsões para baixo.

Conforme destacou o Goldman Sachs logo após os dados do PIB, divulgados no final de fevereiro, a expectativa agora é de que o Brasil tenha uma recuperação da atividade econômica mais suave do que nos ciclos econômicos anteriores (como nos anos 1980), quando uma recessão era sucedida por anos de vigorosa recuperação.

"As recuperações costumavam ser em formato de V, mas agora estão seguindo uma pouca inspiradora recuperação em U", afirmou o banco, reforçando o call das demais instituições financeiras. Com isso, o mercado vem revisando suas projeções: apesar de uma volta da atividade, ela deve vir em um ritmo bem mais fraco do que imaginado no início do ano. 

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(Com Agência Brasil)

 

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