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Crise de energia provoca escassez de água em Caracas

O serviço, intermitente em tempos normais, era escasso ou inexistente em grandes áreas da capital, razão pela qual os especialistas viam poucas esperanças de que se normalizasse

Bandeira - Venezuela
(Shutterstock)

(Bloomberg) -- Começou a faltar água em Caracas na segunda-feira, à medida em que a crise de energia da Venezuela foi deixando as empresas públicas de fornecimento de água fora de serviço, colocando em risco o fornecimento para 5,5 milhões de pessoas, muitas das quais se viram obrigadas a carregar baldes com água suja de um rio próximo.

O serviço, intermitente em tempos normais, era escasso ou inexistente em grandes áreas da capital, razão pela qual os especialistas viam poucas esperanças de que se normalizasse.

Caracas está a 900 metros acima do nível do mar e a água vem do sistema de reservatórios Tuy e das estações de bombeamento, que ficam abaixo. As estações dependem de um fornecimento de eletricidade confiável de 2.000 megawatts, disse Norberto Bausson, que foi diretor da companhia estatal de serviços públicos Hidrocapital na década de 1990.

"Até hoje de manhã, esse sistema ainda não tinha sido reiniciado", disse Bausson na segunda-feira. "O abastecimento de água para a cidade está em risco."

A crise de energia -- e agora a crise da água – estão colocando à prova o poder do presidente Nicolás Maduro. O líder da oposição, Juan Guaidó, está tentando derrubá-lo, depois de uma reeleição considerada amplamente como fraudulenta, usando como argumento principal o deterioro generalizado após seis anos de governo de Maduro. A fome é generalizada no país. A infraestrutura da Venezuela caiu para níveis críticos.

Franquia do Exército

O sistema de água, problemático há anos, está por um fio há meses. Os militares, que gozam de muitas franquias econômicas concedidas por Maduro, dominam o fornecimento, monopolizando um comércio lucrativo à medida que os reservatórios esvaziam, a canalização quebrada inunda os bairros e funcionários sobrecarregados abandonam o trabalho. Aqueles que podem, muitas vezes pagam para obter água limpa.

Mas agora, qualquer oferta de água limpa é escassa. Por falta de manutenção, as usinas de energia elétrica de reserva em barragens ao redor de Caracas não funcionam, disse Bausson.

Os sistemas de distribuição em estados como Zulia, no oeste, Cojedes e Aragua, na região central, e Anzoátegui, no leste, dependem da rede elétrica nacional, que caiu na semana passada.

Os esforços para entrar em contato com a Hidrocapital não tiveram sucesso.

Probabilidades

José Yépez, um barbeiro de 39 anos, estava sentado na margem do rio Guaire, sem camisa e com quatro contêineres de plástico de cinco litros. Ele observava hesitante as pessoas tentando conseguir água.

"Eu não sei se vou pegar essa água, porque tenho duas filhas pequenas, de 4 e 2 anos, e tenho medo que elas fiquem doentes", disse ele. "Os hospitais não estão funcionando. Nós compramos água para beber, mas não temos mais para tomar banho. Mas isso é muito sujo."

Perto dali, moradores faziam um protesto improvisado, interrompendo o tráfego escasso em uma das principais artérias da cidade, batendo em contêineres vazios e cantando. Centenas de moradores desceram da favela vizinha, segurando baldes ou jarros e gritando: "Nós queremos água e eletricidade".

Membros da Guarda Nacional, que é enviada para reprimir a dissidência interna, apareceram usando equipamento antimotim para dispersá-los.

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