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Por que o Itaú cortou projeção para o PIB e inflação, mas também para o dólar em 2019

Para os analistas, economista brasileira deve crescer 2% este ano, contra uma projeção anterior de 2,5%

Brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Apesar de acreditar na aprovação da reforma da Previdência, o Itaú BBA, revisou para baixo suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que passou de 2,5% para 2,0% este ano e de 3,0% para 2,7% em 2020.

A mudança se dá diante da expectativa de um crescimento mais fraco no quarto trimestre de 2018, condições de oferta menos favoráveis no setor agropecuário e no setor energético e menor crescimento global.

Segundo os analistas do Itaú, após o uso de capacidade instalada da indústria de transformação cair 0,7 ponto percentual e a produção recuar 1,8% no quarto trimestre de 2018, os números fracos deste início de ano sugerem que a produção industrial vai ficar praticamente estagnada,
postergando a aceleração da atividade.

E de olho nessa piora da indústria, o Itaú decidiu cortar suas projeções, incluindo o PIB de 2018, de 1,3% para 1,1%. De acordo com os analistas, o atual cenário pressupõe que "a melhora recente das condições financeiras vai persistir e levar a uma aceleração da atividade, em particular a uma melhora do desempenho da indústria à frente".

Apesar disso, o Itaú destaca que essa persistência depende do avanço das reformas, especialmente a da Previdência, a qual os analistas esperam que seja aprovada este ano.

"Em particular, acreditamos que a versão a ser aprovada terá impacto fiscal similar ao da proposta atualmente em tramitação no Congresso Nacional, que estimamos ser de um resultado primário em torno de 1,4 p.p. do PIB mais elevado em 2027", afirmam.

Segundo o Itaú, os primeiros sinais do novo governo têm sido positivos, mas dúvidas com relação à sua aprovação permanecem. A equipe do banco avalia que, sem reformas, o cumprimento do teto de gastos dificilmente será viável a partir de 2020, e a convergência gradual para superávits primários
compatíveis com a estabilização da dívida pública estará ameaçada.

No câmbio também houve uma alteração de expectativas, principalmente por conta da sinalização do Federal Reserve de que pode ajustar sua política monetária se for necessário. Além disso, a queda do CDS de 5 anos brasileiro de 210 pontos-base para menos de 170 pontos também levou o Itaú a reduzir sua projeção para o dólar de R$ 3,90 para R$ 3,80 este ano.

Por outro lado, os analistas mantiveram a expectativa de um dólar de R$ 3,90 em 2020 por conta de "uma ligeira deterioração das condições financeiras globais em função da retirada de estímulos de bancos centrais de economias desenvolvidas".

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Diante de uma recuperação lenta da economia e um câmbio mais apreciado, o Itaú acabou reduzindo ainda sua projeção para a inflação, passando de 3,9% para 3,6%, se mantendo em um nível confortável por conta de diversos fatores, entre eles "expectativas de inflação ancoradas; elevada capacidade ociosa na economia; taxa de câmbio bem comportada; e perspectiva de uma boa safra agrícola".

Por fim, a projeção para a Selic se manteve estável no nível atual, de 6,50% ao ano, seguindo as questões apresentadas pelo próprio Copom (Comitê de Política Monetária), que precisa de uma sinalização maior sobre a reforma da Previdência. Em geral, o destino da reforma não irá definir apenas os juros, mas todo o conjunto de indicadores econômicos do país.

 

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