Em mercados

O que esperar da possível última reunião de Ilan Goldfajn à frente do BC

Atual presidente do Banco Central aguarda apenas a sabatina do Senado para ser substituído por Roberto Campos Neto

Ilan Goldfajn
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O Copom (Comitê de Política Monetária) define nesta quarta-feira (6) o novo patamar da taxa básica de juros brasileira. Mas se, por um lado, é unanimidade que o mercado espera a manutenção da Selic em seu menor patamar histórico, em 6,50%, há uma grande expectativa por ser possivelmente a última reunião com o comando de Ilan Goldfajn.

Da equipe que se reúne para tomar a decisão, apenas uma mudança em relação ao que representou o governo de Michel Temer. Reinaldo Le Grazie deixou no ano passado a Diretoria de Política Monetária e ainda não foi substituído.

Ilan fica como presidente do Banco Central apenas enquanto o Senado não sabatina a nova equipe escolhida por Jair Bolsonaro. Ainda não há uma data definida, mas a expectativa é que isso ocorra nas próximas semanas, indicando que esta será a última reunião com esta formação.

O novo presidente do BC será o economista Roberto Campos Neto. Enquanto isso, o diretor Carlos Viana de Carvalho, que atualmente ocupa a Diretoria de Política Monetária, voltará para a Diretoria de Política Econômica assim que o nome de Bruno Serra Fernandes for aprovado pelo Senado. Já o diretor de Organização do Sistema Financeira, Sidnei Corrêa Marques, será substituído por João Manoel Pinho de Mello.

E se o mercado não espera mudanças na taxa de juros agora, o comunicado será bastante importante conforme alguns especialistas passam a acreditar que existe a possibilidade de um novo ciclo de corte da Selic este ano.

O que irá definir o futuro dos juros serão as reformas do governo, principalmente a da Previdência. Se nos próximos encontros do Copom o texto estiver adiantado no Congresso e com força, aumentam as chances do BC cortar os juros. Por outro lado, uma demora ou mesmo o risco da reforma não ser aprovada pode inverter completamente o rumo da política monetária.

O mais recente Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic este ano passou de 7,00% para 6,50% ao ano. Já a projeção para os juros no fim de 2020 seguiu em 8,00%, igual ao visto quatro semanas atrás.

A gestora Legacy Capital está entre as que esperam que o Copom reduza a Selic ainda este ano. "Nossa visão é de que o Banco Central iniciará um ciclo adicional de cortes nos juros de 100 pontos-base, uma vez que esteja suficientemente clara a perspectiva de aprovação da reforma", disse em carta enviada a clientes.

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"Acreditamos que esta caracterização possa acontecer nas reuniões do Copom de março ou de maio, a depender do ritmo de tramitação da PEC e do comportamento da inflação e da atividade econômica", afirma a gestora.

Ilan fez um trabalho muito elogiado à frente do BC, não à toa conseguiu levar a Selic para sua mínima histórica. Ele chega ao seu último encontro do Copom com as expectativas bem ancoradas e dependendo basicamente do trabalho do governo com as reformas para decidir os próximos passos - o que acabará sendo um trabalho para seu substituto.

 

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