Em mercados

O que é a temida inversão dos juros nos EUA e por que você (ainda) não deve se apavorar com isso

Economista Richard Rytenband explica o evento que tem levado pânico aos investidores e como isso não significa o fim do ciclo de alta da bolsa dos EUA

SÃO PAULO - Nos últimos dias, um novo evento entrou no radar dos investidores, ligando o alerta do mercado para o que pode vir a ser uma recessão nos Estados Unidos, o que tem força para abalar o mundo todo. A chamada inversão da curva de juros tem deixado especialistas de olho no cenário da maior economia do mundo, mas será que justifica um pânico no mercado?

No programa Os Antifrágeis desta quarta-feira, o economista Richard Rytenband avaliou o cenário e cravou: não há como garantir que o ciclo de alta da bolsa americana tenha acabado. No início da semana, a rentabilidade das taxas de juros de três anos passaram a ficar acima das de cinco anos, o que costuma indicar que uma recessão se aproxima.

Porém, Richard reforça que há um bom período entre o momento desta virada e uma confirmação da recessão, quando, normalmente, o mercado também atinge o seu topo. Ou seja, se esta virada está à caminho, ela ainda deve demorar mais de um ano, segundo o economista.

No programa, ele mostrou uma tabela comparando cenários parecidos do passado. Em maio de 1998, por exemplo, houve uma inversão das taxas de juros, mas o topo do S&P 500 se deu em março de 2000 - ou seja, a bolsa ainda subiu bastante após a mudança dos juros -, sendo que a recessão nos EUA só ocorreu em março de 2001. Cenários semelhantes ocorreram em 1990 e 2007.

Richard reforça que há uma defasagem grande entre o momento da virada dos juros, a máxima da bolsa e a recessão. Por outro lado, ele aponta que a relação entre a taxa de juros de 10 anos e de 2 anos, apesar de estar na mínima em cerca de 10 anos, ainda não inverteu, o que ressalta a avaliação de que ainda não há como garantir esta mudança da economia.

Ele deixa ainda um alerta. O economista lembra que muitas vezes o investidor entra nesta onda de pânico de curto prazo e como existe esta defasagem, quando ele começa a achar que a bolsa vai seguir subindo e decide voltar ao mercado, aí que começa a real derrocada.

Richard ainda aponta outros fatores que indicam que ainda não há como cravar realmente a virada e que a recessão, se ocorrer, ainda vai demorar mais de um ano e meio.

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Por fim, o economista diz que existem dois desfechos para o atual cenário: ou irá surgir um "grau de convicção na compra", levando a uma recuperação do mercado, ou uma "capitulação", uma queda que vai gerar ainda mais pânico, levando a um grande queda e ao fim da correção, criando uma nova oportunidade de compra.

 

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