Em mercados

Se estressar demais, BC pode intervir no câmbio e subir Selic antes das eleições

Na última terça-feira (21), chegou a R$ 4,0458, maior nível desde fevereiro de 2016

SÃO PAULO - A possibilidade de um 2º turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) fez com que o dólar disparasse nas últimas semanas: na terça-feira (21) a moeda chegou a R$ 4,0458 - máxima desde fevereiro de 2016 - e nesta quarta-feira o movimento continuou com a divisa chegando a quase R$ 4,10.

Com o dólar nas alturas, o mercado começa a se perguntar se não haverá uma intervenção do Banco Central e do Tesouro, nos mesmos moldes de maio, com a crise dos caminhoneiros, quando o comportamento dos ativos foi pautado pela disfuncionalidade.

De acordo com Marco Mecchi, fundador da MZK Investimentos e que por 12 anos foi chefe da mesa de tesouraria do HSBC/Bradesco, a expectativa é de um stress no dólar e há chance do BC voltar a intervir na moeda e, quem sabe, até subir a Selic na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) antes das eleições (19 de setembro). “Eu acho que vai ser um período super turbulento e que o Banco Central vai ter que tomar uma decisão e, se não subir os juros, talvez tenha um discurso um pouco mais duro que na próxima [reunião] vai subir”, afirmou em entrevista ao programa Papo com Gestor.

Mecchi lembra que em junho o BC fez fortes intervenções, mas depois "tirou um pouco o pé" e avisou o mercado de que se o câmbio voltasse a ficar disfuncional, ou seja, se voltasse a ficar com baixa liquidez e muito díspar de seus pares, iria intervir novamente. Segundo ele, o dólar vai continuar subindo, assim como os juros e, após a intervenção do BC, a expectativa é de que os juros continuem em alta, mas que a moeda americana comece a cair, dada a precificação do mercado da alta de juros.

Responsável pela MZK, asset focada principalmente em câmbio e juros, Mecchi afirma que neste cenário de eleições o investidor deve ser mais disciplinado e entrar em posições já sabendo que poderá sair, caso o resultado seja contrário naquele momento. “O cenário é para você ter posições pequenas, entrar e sair rapidamente, porque se você se amarrar em uma posição só, você vai pegar essa turbulência de uma maneira muito grande”, diz. A entrevista completa com Marco Mecchi vai ao ar na próxima quinta-feira (23).

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