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PIB para baixo, dólar e inflação para cima: o novo cenário do Itaú para o Brasil

O documento justifica a visão pessimista com base na "persistente deterioração das condições financeiras", os "maiores riscos internos e externos" e a incerteza quanto às eleições

Bandeira do Brasil - Rio 2016
(Rio Foto: Roberto Castro/ Brasil2016)

SÃO PAULO - Enquanto os analistas e gestores já se preparavam para encerrar as operações da semana e assistir tranquilamente ao jogo do Brasil contra a Bélgica, o Itaú divulgou um relatório que piora as previsões para a economia nacional em 2019: o PIB será menor, e o déficit, câmbio e inflação maiores. Por outro lado, ainda se espera estabilidade na taxa Selic até o fim do ano.

O documento, assinado pelo economista-chefe do banco Mario Mesquita, justifica a visão pessimista com base na "persistente deterioração das condições financeiras", os "maiores riscos internos e externos" e a incerteza quanto à eleição de um presidente que execute um programa de reformas, consideradas necessárias ao "reequilíbrio fiscal" do País. 

Em números, as projeções de crescimento do PIB passaram de 1,7% a 1,3% em 2018 e de 2,5% para 2,0% em 2019. O déficit deste ano continua em 2,1%, mas as previsões para o ano que vem pioraram de 1,4% a 1,6% do PIB. A projeção para o dólar, antes em R$ 3,70, passou para R$ 3,90 ao fim de 2018 e 2019. Por fim, a projeção para a inflação foi elevada de 3,8% para 4,1% neste ano e de 4,1% para 4,2% no próximo. 

Do lado positivo, o economista aponta que os dados recentes seguem mostrando as contas externas saudáveis, mesmo com o ligeiro aumento do déficit em conta corrente, na margem, por conta da greve dos caminhoneiros. "O investimento estrangeiro direto continua sendo a principal fonte de financiamento do balanço de pagamentos, apesar do recuo nos últimos meses."

O banco projeta ligeira elevação do déficit em conta corrente nos próximos meses, mas sem comprometer a sustentabilidade externa. O Itaú estima superávit comercial de US$ 65 bilhões em 2018 e de US$ 56 bilhões (ante US$ 55 bilhões) em 2019. Para a conta corrente, a estimativa é de déficit de US$ 17 bilhões (ante US$ 19 bilhões) em 2018 e de US$ 29 bilhões (ante US$ 36 bilhões) em 2019.

 

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